CASO MASTER

Familiares do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tentam compor uma nova equipe de advogados de defesa para apresentar, pela terceira vez, uma proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Ao menos três escritórios de advocacia com advogados criminalistas renomados foram procurados pela família para que a defesa fosse assumida. Fontes da "CNN" afirmam que Vorcaro teria ficado assustado com a possibilidade de voltar à Papuda, caso não consiga um acordo, e que ele pretendia juntar um material “mais robusto” aos documentos, em uma proposta que deverá ser apresentada nos próximos dias. 

Além disso, o avanço nas negociações de delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria feito com que houvesse um temor de impedimento de acordo entre o ex-dono do Master, a PF e a PGR.

A equipe de defesa do empresário vem sendo bastante volátil, já tendo sido trocada duas vezes. Hoje, a defesa é com o advogado Sérgio Leonardo, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais, que assume o comando sozinho após José Luis Oliveira Lima, o ‘Juca’, largar sair em maio.

Vorcaro tenta, há meses, firmar um acordo de delação premiada. Não há limite para a apresentação de novas propostas até que uma seja aceita. A última delas, rejeitada pelas instituições, inclui uma citação a  Flávio Bolsonaro (PL) e a negociação sobre o investimento no filme "Dark horse", juntamente de narrações de pedidos e cobranças do senador e pré-candidato à Presidência da República e repasses que totalizaram R$ 61 milhões.

No último mês, o site "The Intercept Brasil" divulgou áudios em que o presidenciável cobrou R$ 134 milhões do banqueiro para o custeamento do longa. 

A negativa da proposta se deu pela PGR entender que não havia elementos básicos para auxiliar na condução do caso, sem revelações importantes. Isto porque, considerando o passo em que estão as investigações, as informações apresentadas pelo empresário já são de conhecimento das autoridades e foram alvo da Operação Compliance Zero. 

Na apresentação da primeira proposta, que terminou sendo rejeitada em abril, os investigadores ainda deram a oportunidade para que a defesa incluísse um anexo com novas informações solicitadas, mas o acordo não foi firmado. Já na segunda, Vorcaro teria se preocupado mais em se defender e justificar repasses milionários em vez de revelar novos personagens e fatos do esquema.