O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e um dos principais intelectuais do País, passou a olhar o futuro do Brasil com otimismo, a partir de uma percepção pessoal: a de que o ódio político está se dissolvendo na sociedade brasileira. "Lula saiu da prisão sem ressentimentos e decidido a não devolver ódio com ódio", diz ele. "Isso foi fundamental para o surgimento deste novo ambiente no Brasil", acrescenta.

O economista, que foi do PSDB até 2010, mas apoiou os governos progressistas de Lula e Dilma, também vê com otimismo a aliança entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin. "Foi uma ótima escolha e Alckmin será um vice leal e confiável", afirma. Na sua visão, a perspectiva de volta da normalidade ao Brasil explica, inclusive, a recente valorização do real, brevemente interrompida com a guerra na Ucrânia.

Bresser Pereira avalia que a imprensa brasileira foi responsável pela crise brasileira, por ter se associado ao imperialismo, ao neoliberalismo e às posições do PSDB, contribuindo para o clima de ódio que se espalhou pelo País. "Infelizmente, a imprensa brasileira não cumpriu seu papel de bem informar", diz ele, que também critica o partido que ajudou a fundar. "O PSDB hoje não é nada", aponta.