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Desconfiado atávico, adepto de teorias conspiratórias, Jair Bolsonaro teme ser abandonado por “progressistas” e “republicanos” na undécima hora, antes do registro das chapas presidenciais. Ele precisa do tempo de propaganda na TV e dos recursos do fundo de campanha eleitoral das duas siglas para somar aos do PL e formar um volume potencialmente razoável para fazer uma campanha nacional tendo o PT e seus aliados como adversários. Flávio Bolsonaro ouviu dos presidentes do PP e do PRB que Braga Netto não será uma escolha inteligente nem estratégica, pois não soma nada à base bolsonarista. Além disso, pode impor um carimbo de “partido militar”, ou de parte dos “militares”, às duas legendas.
Ciente do desejo do ministro da Defesa, que não perde a chance de deixá-lo claro em reuniões ministeriais formais e informais, e também focada em se firmar na favorita do chefe para tomar a vaga do atual vice-presidente Hamilton Mourão, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, pastora evangélica, iniciou um processo de plantação de sementes no Palácio do Planalto. Ela semeia, com a ajuda de aliados comuns dela e da primeira-dama Michelle, a ideia de que o PRB poderá assimilá-la como filiada caso ingresse na legenda controlada pela Igreja Universal do Reino e Deus a fim de se converter em candidata a vice-presidente de Bolsonaro. “É claro que se Damares for candidata a vice e isso for levado ao PRB, a situação muda: o Marcos Pereira tenderá a aceitar essa filiação”, diz um interlocutor presidencial, que despacha dentro do Palácio do Planalto e conversou com o Brasil247.
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, que se desligou do PSD (controlado por Gilberto Kassab) e está sem partido, mas, só aguarda a data de uma grande festa ser marcada em Natal (RN) para que seja abonada a ficha de sua filiação ao PP, corre por fora na disputa que já intrigou toda a corriola palaciana. Faria, que pensa em disputar o governo potiguar e instalou uma espécie de gabinete paralelo de seu ministério em Natal, argumenta com Bolsonaro que ele precisa de um nome do Nordeste e capaz de construir interlocuções políticas para disputar a vice-presidência em sua chapa. Ou seja, o perfil traçado por Fábio Faria é o dele mesmo.
“Caso o presidente da República escolha um filiado, que já está conosco, para vice, daí não haverá problema algum”, explicou o ministro Ciro Nogueira a um amigo do Congresso Nacional. E ainda asseverou: “estaremos com Bolsonaro tendo ou não tendo o vice na chapa. Porém, ele deve optar por alguém que amplie a base de apoio social que já tem”. O presidente do PP, portanto, corrobora o projeto “por que não eu?” de Fábio Faria.
Má análise de pesquisas no Palácio do Planalto
Não só por parte do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos que transitam entre a política e os negócios, em Brasília, mas, também, a partir da avaliação traçada com exclusividade para o Brasil247 por dois contumazes interlocutores presidenciais, há um viés de análise de cenários totalmente desfocado no Planalto. Os analistas bolsonaristas acham que a eleição de 2022 será decidida pelo tamanho das rejeições dos eleitores aos candidatos e aos partidos. Desprovidos de capacidade de ler dados técnicos e científicos, ou agindo deliberadamente para distorcê-los, convenceram Bolsonaro de que a rejeição dele e de Lula (PT) são equivalentes e que há uma profunda repulsa ao PT na sociedade brasileira.
Segundo dados da mais recentes pesquisa DataFolha, sucedida por dados do PoderData e da Quaest, o Partido dos Trabalhadores é considerada a legenda de preferência de 27% dos eleitores brasileiros. Depois dele, num distante segundo lugar, seguem empatados MDB e PSDB com 2% cada um, PSol, PDT e PL com 1%. De acordo com a última pesquisa nacional PoderData, a rejeição ao ex-presidente Lula é de 36% e a de Bolsonaro é de 56%. Ainda de acordo com a empresa de pesquisas do site Poder360, o ex-presidente do PT é quem tem o maior potencial de voto dentre todos os postulantes à Presidência – ganha de todos em ensaios de segundo turno e está muito próximo de estabelecer índice consistente de vitória no primeiro turno.
Tendo próximo a si analistas de pesquisas de visão embaçada e vendo os principais aliados engalfinhados numa disputa fratricida pelo posto do vice-presidente Hamilton Mourão, sem apetite para desempenhar o papel para o qual foi eleito – o de presidente de uma República que atravessa sua maior crise sanitária, humanitária e também econômica em pelo menos um século –, Jair Bolsonaro segue em longas férias de fim de ano num forte do Exército em Santa Catarina. Lá, receberá a visita de Braga Netto antes do réveillon. A ministra Damares Alves tenta agendar uma audiência durante o “retiro” presidencial. Sob o argumento de atualizar o chefe sobre a tragédia dos temporais, enchentes e desabamentos na Bahia – ela esteve nesta terça-feira nas áreas mais afetadas pelas enchentes no Sul do estado governado pelo PT, para onde Bolsonaro recusa-se a ir.
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Não só por parte do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos que transitam entre a política e os negócios, em Brasília, mas, também, a partir da avaliação traçada com exclusividade para o Brasil247 por dois contumazes interlocutores presidenciais, há um viés de análise de cenários totalmente desfocado no Planalto. Os analistas bolsonaristas acham que a eleição de 2022 será decidida pelo tamanho das rejeições dos eleitores aos candidatos e aos partidos. Desprovidos de capacidade de ler dados técnicos e científicos, ou agindo deliberadamente para distorcê-los, convenceram Bolsonaro de que a rejeição dele e de Lula (PT) são equivalentes e que há uma profunda repulsa ao PT na sociedade brasileira.
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