O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-secretário de Governo de Jair Bolsonaro, afirmou, nesta segunda-feira (30), que Jair Bolsonaro incorreu em “crime comum” ao estimular que a população civil adquira armas e munições como uma “opção política”. 

“Uma autoridade dizer que o cidadão armado é uma opção política, é completa falta de responsabilidade. Por que está acontecendo isso? Por conta das características pessoais do presidente e também pela falta de atuação do nosso Congresso e da nossa Justiça, tem que ser mais firme em relação a tudo. E não precisa ser necessariamente impeachment. Existem outras medidas para isso, até de crime comum”, disse Santos Cruz em entrevista ao programa Despertador, da TV Democracia. 

Ainda segundo o militar, “isso aí é um absurdo, estimular uma população a se armar, achando que pode concretizar as suas opções, aquilo que tem na cabeça. Isso aí fica incontrolável, principalmente num ambiente de fanatismo. Nós estamos vivendo num ambiente de fanatismo que está entrando numa histeria, uma esquizofrenia absurda. Nesta véspera de sete de setembro, isso aí para desaguar em violência é um passo. E isso está no horizonte. Então, não pode haver a irresponsabilidade de um governante que é eleito para governar, para unir um país, ele radicalizar e fazer um país dividido entre amigos e inimigos, ou então dando a sensação de que cada um pode, com uma arma, concretizar aquilo que o presidente acha que está correto. É um problema seríssimo.” 

A declaração de Santos Cruz faz referência a uma conversa de Bolsonaro com apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, na última sexta-feira (27). Na ocasião, ele disse que "todo mundo precisa comprar fuzil" e que tem idiota que reclama que "tem que comprar feijão". No sábado, ao receber um violão de presente o ocupante do Palácio do Planalto usou o instrumento como se fosse um fuzil.