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A bancada ruralista está temerosa em relação aos rumos da guerra no Leste Europeu. Para eles, o conflito pode levar à escassez de fertilizantes e à disparada de preços. Segundo o deputado federal Neri Geller (PP-MT), o conflito pode provocar um aumento vertiginoso do insumo agrícola. E isso terá impacto direto no bolso do consumidor.
Ex-ministro da Agricultura, Geller relatou ao Correio a preocupação com a crise. Além da questão humanitária, a guerra afeta a produção de fertilizantes, pois a Rússia é o principal fornecedor do insumo. Há ainda a alta na inflação associada ao custo de produção. Como consequência, o parlamentar prevê aumento de preços, pesando no bolso do consumidor brasileiro.
"O principal fornecedor de fertilizante de potássio é a Rússia, somos dependentes nesse caso. Já estamos com a inflação galopando. Com os custos de produção lá em cima, vai ter influência direta no custo da produção de alimentos, significa pagar mais caro no feijão, arroz e proteína. O impacto vai direto no bolso do consumidor", relatou.
Geller apontou ainda que o custo da tonelada do potássio subiu de US$ 320 para US$ 850 nos últimos doze meses. "Não sabemos como ficará a situação caso as sanções atinjam os fertilizantes. Se houver sanções nesse sentido, vamos ter reflexos. Talvez falte produto para fazer a próxima safra, ou aumente muito o custo, porque terá que vir de outros lugares, como Arábia Saudita, Irã, Bolívia. Mas não é suficiente para a quantia que produzimos", completou.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, aponta que, de acordo com os desdobramentos, há risco de que a pouca oferta de fertilizantes afete a safra de grãos em 2023.
"Se não conseguirmos contrapor a quantidade de ureia necessária para o plantio, vai aumentar o preço interno. É um reflexo mundial que afeta o Brasil. Tudo vai depender da extensão e do tempo que durar o conflito. Se durar pouco tempo, do ponto de vista de mercado, pode ter impacto menor. Se durar mais, teremos bloqueios comerciais. Estamos temerosos e não concordamos com essa invasão. Deveriam seguir a diplomacia", defendeu.
"Se sobe o custo de produção, sobe o preço de alimentos. Nesse momento, temos jeitos de suprir. Mas se durar por muito tempo, o impacto não vai ser sentido agora, pois já houve o plantio. Mas, mais para frente, pode reduzir a capacidade produtiva de milho, soja, por exemplo. Já no caso dos combustíveis, o impacto nos valores pode ser imediato", emendou.
Ele citou ainda a viagem da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ao Irã, na semana passada, em agenda de negócios na área de fertilizantes. O foco é a importação da ureia iraniana. "Bolsonaro esteve na Rússia para aumentar o volume de compras dos fertilizantes. Teresa estava no Irã comprando. Se mantido o que for acertado, os reflexos não serão tão grandes", ponderou.
O economista e professor do Ibmec William Baghdassarian alerta para outros efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele acredita que o Brasil deve ser afetado, primeiramente, pelo preço do petróleo e do gás natural. "A Rússia é um grande exportador de petróleo, e a Oped já falou que não vai repor o nível de produção da Rússia", considerou.
Ele também menciona as consequências na cotação do dólar. "O segundo canal que deve ser afetado é a taxa de câmbio. Quando o mercado percebe que haverá uma crise, normalmente ela repercute em termos de inflação. Então o mercado já está precificando algum tipo de aumento da inflação americana, europeia", observou. "Em seguida o aumento da taxa de juros vai ser afetado", destacou. Atualmente, a taxa básica de juros no Brasil está em 10,75%.
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Ex-ministro da Agricultura, Geller relatou ao Correio a preocupação com a crise. Além da questão humanitária, a guerra afeta a produção de fertilizantes, pois a Rússia é o principal fornecedor do insumo. Há ainda a alta na inflação associada ao custo de produção. Como consequência, o parlamentar prevê aumento de preços, pesando no bolso do consumidor brasileiro.
"O principal fornecedor de fertilizante de potássio é a Rússia, somos dependentes nesse caso. Já estamos com a inflação galopando. Com os custos de produção lá em cima, vai ter influência direta no custo da produção de alimentos, significa pagar mais caro no feijão, arroz e proteína. O impacto vai direto no bolso do consumidor", relatou.
Geller apontou ainda que o custo da tonelada do potássio subiu de US$ 320 para US$ 850 nos últimos doze meses. "Não sabemos como ficará a situação caso as sanções atinjam os fertilizantes. Se houver sanções nesse sentido, vamos ter reflexos. Talvez falte produto para fazer a próxima safra, ou aumente muito o custo, porque terá que vir de outros lugares, como Arábia Saudita, Irã, Bolívia. Mas não é suficiente para a quantia que produzimos", completou.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, aponta que, de acordo com os desdobramentos, há risco de que a pouca oferta de fertilizantes afete a safra de grãos em 2023.
"Se não conseguirmos contrapor a quantidade de ureia necessária para o plantio, vai aumentar o preço interno. É um reflexo mundial que afeta o Brasil. Tudo vai depender da extensão e do tempo que durar o conflito. Se durar pouco tempo, do ponto de vista de mercado, pode ter impacto menor. Se durar mais, teremos bloqueios comerciais. Estamos temerosos e não concordamos com essa invasão. Deveriam seguir a diplomacia", defendeu.
"Se sobe o custo de produção, sobe o preço de alimentos. Nesse momento, temos jeitos de suprir. Mas se durar por muito tempo, o impacto não vai ser sentido agora, pois já houve o plantio. Mas, mais para frente, pode reduzir a capacidade produtiva de milho, soja, por exemplo. Já no caso dos combustíveis, o impacto nos valores pode ser imediato", emendou.
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O economista e professor do Ibmec William Baghdassarian alerta para outros efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele acredita que o Brasil deve ser afetado, primeiramente, pelo preço do petróleo e do gás natural. "A Rússia é um grande exportador de petróleo, e a Oped já falou que não vai repor o nível de produção da Rússia", considerou.
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