As instalações começaram a ser montadas na manhã desta quarta (04/03)crédito: Reprodução/Prefeitura de Ubá
Um hospital de campanha começa a funcionar nesta quarta-feira (4/3) em Ubá (MG), na Zona da Mata, após as chuvas fortes que atingiram o município nos últimos dias. A cidade tem sete mortes confirmadas, uma pessoa desaparecida, mais de 4,8 mil desalojados e 27 desabrigados acolhidos em abrigo temporário.

O coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, afirmou que as ações ocorrem simultaneamente na zona urbana e rural, com reforço progressivo de cerca de 243 máquinas em Ubá. Mais de 32 toneladas de ajuda humanitária foram enviadas, com apoio de mais de 150 parceiros. “Estamos com equipes de resposta, envio de ajuda humanitária, articulação entre secretarias e apoio técnico necessário para regularizar a situação do município”, afirmou. 

A estrutura provisória será instalada em função da destruição da policlínica municipal e do Centro de Especialidades Odontológicas. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, todos os medicamentos armazenados pelo município foram perdidos com a enchente, assim como as câmaras frias utilizadas para conservar vacinas.

Sete novos equipamentos de refrigeração foram instalados na Secretaria Municipal de Saúde, onde funcionará temporariamente a farmácia municipal. Parte dos medicamentos foi entregue e o restante está sendo encaminhado. “O que está garantido à prefeitura é que não faltarão medicamentos”, afirmou o secretário. 

Um plano de contingência foi estruturado para redistribuir os atendimentos das 18 especialidades que funcionavam na policlínica, com apoio dos hospitais do município e de unidades móveis do SUS.

Reconstrução das pontes
As quatro pontes destruídas pelas chuvas serão reconstruídas com recursos estaduais. De acordo com o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, o Estado assumirá o custeio das obras. O levantamento técnico dos danos ainda está em andamento, e os valores não foram divulgados. Segundo o secretário, a prioridade é restabelecer a mobilidade o quanto antes.

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A prefeitura mantém operação de limpeza, inclusive durante a noite, de 19h às 7h. Cerca de 1.900 caminhões de resíduos foram retirados das vias, com 680 profissionais em campo e mais de 130 veículos mobilizados. O abastecimento de água foi 100% restabelecido.

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Conforme a prefeitura, 4,5 mil kits de limpeza, roupas e cestas básicas foram enviados às famílias atingidas. Equipes da assistência social acompanham os desalojados e desabrigados e avaliam a situação habitacional das áreas afetadas. 

O impacto econômico também é monitorado. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais lançou duas linhas de crédito emergenciais: uma voltada aos municípios atingidos e outra destinada a micros e pequenas empresas. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico informou que será feito um diagnóstico junto à Associação Comercial local para dimensionar os prejuízos. 

Desaparecido
A busca pela pessoa desaparecida segue com apoio do Corpo de Bombeiros, que utiliza drones, aeronaves e cães farejadores.

O prefeito da Ubá, José Damato (PSD), classificou o episódio como o mais grave da história da cidade. “Essa foi a maior tragédia da história do município, infelizmente com a perda de sete vidas e uma pessoa desaparecida”, afirmou. 

Ele acrescentou que o município mantém ações ininterruptas de recuperação. “Temos ações 24 horas por dia para limpar vias, garantir acesso da população e reestruturar a zona rural. Em breve, com certeza, população ubaense, vamos reestruturar e trazer a dignidade que nossa população merece.”