A primeira manifestação de servidores estaduais desde o início oficial da campanha eleitoral em Minas ocorre nesta terça-feira (25), com trabalhadores da Saúde reunidos na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Em frente ao prédio onde fica o gabinete do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), a categoria cobra aumento da ajuda de custo e tratamento igual ao concedido a outros setores do funcionalismo e realiza uma assembleia com indicativo de greve.

Até o momento, segundo representantes dos trabalhadores, ninguém do governo havia aceitado receber uma comissão do movimento para discutir as reivindicações. A manifestação reúne profissionais da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), do Sistema Estadual de Saúde e do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg).

A principal reivindicação é a elevação da ajuda de custo para, no mínimo, R$ 150 por dia, além de isonomia de tratamento entre os profissionais da Saúde e servidores de outras secretarias. As entidades afirmam que as cobranças vêm sendo feitas há meses, sem uma resposta considerada satisfatória.

A mobilização desta terça é organizada por entidades que representam os trabalhadores, entre elas Sind-Saúde, Sindpros, Asthemg e Sisipsemg. Em publicação convocando a categoria, o Sind-Saúde afirmou que a assembleia definiria coletivamente os próximos passos do movimento, incluindo a possibilidade de greve.

Reivindicação já foi levada ao governo

A discussão sobre a ajuda de custo não começou agora. Em reunião realizada em 10 de agosto, representantes dos trabalhadores levaram novamente a reivindicação à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Segundo relato do Sind-Saúde, a pasta informou que apresentaria a demanda às instâncias superiores, mas disse que não havia, naquele momento, perspectiva concreta de mudança.

Sindpros e Asthemg alegam que a insatisfação aumentou após mudanças nos valores pagos a outras categorias do funcionalismo. Segundo as entidades, uma resolução publicada em julho reajustou a ajuda de custo de servidores ligados ao DER-MG e à Artemig e, para determinados cargos, a elevação chegaria a 400%, totalizando cerca de R$ 4,3 mil mensais.

Os representantes da Saúde sustentam que já haviam apresentado à Seplag, desde março, a ampliação da ajuda de custo como uma alternativa para complementar a remuneração dos trabalhadores da área.

O Hoje em Dia procurou o Governo de Minas para saber se representantes dos servidores serão recebidos nesta terça-feira, qual é a posição do Executivo sobre o aumento da ajuda de custo e sobre a alegação de tratamento desigual entre categorias. A reportagem também questionou o Estado sobre o indicativo de greve e aguarda retorno.

Saúde já entrou em greve neste ano

Uma eventual paralisação não seria a primeira dos trabalhadores da Fhemig em 2026. Em março, servidores da rede entraram em greve para cobrar, entre outros pontos, melhores condições de trabalho e avanços nas negociações salariais. A paralisação provocou o adiamento de cirurgias programadas em hospitais públicos de Belo Horizonte. Agora, cinco meses depois, a possibilidade de uma nova paralisação volta à discussão em uma assembleia da categoria.

Outro protesto nesta terça

A mobilização dos servidores da Saúde continua durante a tarde. Às 13h, trabalhadores também estão convocados para um ato em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), na avenida Afonso Pena, 4.001, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Neste segundo protesto, a pauta é a reabertura do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). Segundo o Sind-Saúde, a manifestação ocorre no mesmo dia em que a Advocacia-Geral do Estado (AGE) atua no TJMG na tentativa de reverter decisão judicial que determinou a reabertura da unidade. O sindicato defende o cumprimento da decisão e a retomada das atividades do hospital.