"Ah, o bendito Carnaval começou", exclamou uma senhora para um senhor ao ver pessoas fantasiadas andando pela Praça Coronel José Persilva, na rua Norita, no Santa Tereza, onde a Orquestra Popular Terno do Binga começou o seu cortejo neste sábado (24/01). Ao contrário do que o céu nublado prometia, não choveu, o que levantou o ânimo dos foliões no embalo do frevo tocado nos trompetes, trombones e bateria do bloco.

O cortejo não estava tão cheio quanto os blocos de Belo Horizonte costumam ficar no Carnaval, mas mesmo assim tomou as ladeiras do boêmio bairro belo-horizontino. O Terno do Binga reverencia a riqueza da cultura pernambucana e o seu Carnaval, com muito frevo e fantasias típicas do estado do coração de Ariano Suassuna.

Uma das fantasias que chamavam a atenção era da La Ursa, símbolo do Carnaval de Pernambuco. A La Ursa é uma mitologia com origem europeia, mas ganhou vida própria na folia das ruas de Olinda e Recife.

A brincadeira consiste em uma fantasia de urso, geralmente acompanhada de um caçador, e os brincantes costumam pedir dinheiro para os foliões por meio da marchinha “La Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro” – termo popular que significa algo como o conhecido “mão de vaca”.

Um grupo de amigos de Belo Horizonte, que se conheceram há 15 anos, no Carnaval pernambucano, formaram um grupo de Las Ursas. Marcos Soares, de 39 anos, conta que desde então, o grupo tenta se reunir para passar os carnavais juntos, seja em Belo Horizonte ou no estado pernambucano.

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O grupo de amigos se conheceu em Pernambuco e, há 15 anos, se encontra para curtirem juntos o Carnaval - FOTO: Marco Aurélio Neves / O TEMPO


Outras fantasias faziam menção ao filme “O Agente Secreto”, ambientado em Recife. O longa fez história ao vencer duas categorias no Globo de Ouro – melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator de drama, para Wagner Moura, e ainda rendeu uma indicação ao Oscar 2026 para o ator brasileiro também na categoria de Melhor Ator.

Em alguns momentos, a orquestra acelerou o passo e os foliões brincaram de que “não era a São Silvestre”, a famosa maratona de São Paulo. Na correria ou durante as paradas da bateria, as pessoas se divertiam com segurança e sem nenhuma confusão.