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Uma bituca de cigarro lançada pela janela de um veículo pode parecer um gesto pequeno, mas, em uma área de vegetação seca, pode ser suficiente para iniciar um incêndio de grandes proporções. Durante o período de estiagem, quando a baixa umidade do ar, as altas temperaturas e a vegetação ressecada favorecem a propagação das chamas, atitudes como descarte de cigarros, queimadas para limpeza de terrenos e abandono de materiais inflamáveis aumentam o risco de fogo às margens das rodovias mineiras.
Além dos danos ambientais, os incêndios representam uma ameaça direta à segurança viária. A fumaça reduz a visibilidade dos motoristas, pode provocar mal-estar e confusão mental nos ocupantes dos veículos e aumenta a possibilidade de acidentes graves. Em algumas situações, é necessário interditar trechos para o combate às chamas, causando retenções e impactos no transporte de cargas.
Com a chegada do período mais crítico da estiagem em Minas Gerais, entre julho e setembro, concessionárias e órgãos de segurança reforçam o alerta para prevenção. O histórico dos últimos anos mostra que é justamente nesse intervalo que os registros atingem os maiores volumes.
Dados do Corpo de Bombeiros mostram que o período seco concentra a maior parte dos incêndios em vegetação às margens das rodovias mineiras. Entre julho e setembro, os registros aumentam significativamente e atingem o pico durante o inverno.
Em 2024, o trimestre acumulou 1.864 ocorrências, com agosto registrando o maior número de casos do ano: 686 incêndios. Na sequência aparecem julho, com 601 registros, e setembro, com 577. Em 2025, o comportamento foi semelhante. Entre julho e setembro foram 1.503 incêndios, sendo agosto novamente o mês mais crítico, com 618 ocorrências, seguido por setembro (478) e julho (407).
Após o pico da estiagem, os números começam a cair com a aproximação do período chuvoso. Em 2024, os registros passaram de 577 casos em setembro para 179 em outubro, chegando a 21 em novembro e 14 em dezembro. Em 2025, a redução também foi observada: outubro teve 287 ocorrências, novembro registrou 54 e dezembro, 29.
Considerando todo o segundo semestre, entre julho e dezembro, Minas Gerais registrou 2.078 incêndios às margens de rodovias em 2024 e 1.873 em 2025, uma redução de 9,8%.
Mesmo antes do auge da estiagem, os sinais de atenção já aparecem. Em julho de 2026, o Corpo de Bombeiros registrou 260 focos de incêndio às margens de rodovias em Minas Gerais, indicando a necessidade de cuidado redobrado com o avanço do período seco.
Na BR-040, o cenário acompanha a tendência estadual. Dados da EPR Via Mineira apontam que, entre agosto e dezembro de 2024, primeiro período de atuação da concessionária no trecho entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, foram registradas 155 ocorrências de incêndios às margens da rodovia.
Já em 2025, com o acompanhamento de todo o ano, foram contabilizados 274 incêndios no trecho administrado pela empresa. Desse total, 210 ocorreram entre julho e dezembro, período que concentrou mais de 75% das ocorrências registradas no ano.
A área atingida também evidencia o impacto das queimadas. Ao longo de 2025, o fogo consumiu aproximadamente 598 mil metros quadrados de vegetação às margens da BR-040, o equivalente a cerca de 84 campos de futebol. Mais de 507 mil metros quadrados foram registrados apenas no segundo semestre, durante o período mais seco, representando 71 campos de futebol destruídos pelas chamas nesse intervalo.
O que diz a lei
Provocar incêndios às margens de rodovias pode resultar em multa e prisão
Artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB)
Atirar ou abandonar objetos ou substâncias na via é uma infração média, sujeita a multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH.
Artigo 250 do Código Penal
Quem ateia fogo às margens de rodovias pode responder por crime ambiental, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão. Quando o incêndio coloca em risco a vida, a integridade física ou o patrimônio de terceiros, a pena é de três a seis anos de reclusão e multa. Nos casos culposos, sem intenção, a pena varia de seis meses a dois anos de detenção.
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Os municípios com maior número de ocorrências em 2025 foram Carandaí, Conselheiro Lafaiete, Barbacena e Santos Dumont, além de cidades como Cristiano Otoni, Alfredo Vasconcelos, Belo Horizonte, Nova Lima e Ressaquinha. Em 2026, os focos continuam concentrados principalmente na região entre Santos Dumont, Barbacena, Cristiano Otoni, Juiz de Fora e Carandaí, o que mantém o alerta para o trecho da BR-040 administrado pela EPR Via Mineira.
O maior incêndio atendido pela concessionária em 2025 ocorreu em 4 de outubro, na altura do km 679,2, em Carandaí. As chamas atingiram cerca de 33 mil metros quadrados de vegetação e mobilizaram equipes da EPR Via Mineira e do Corpo de Bombeiros.
A previsão do Corpo de Bombeiros é de que os próximos meses sejam de alto risco para incêndios em vegetação em Minas Gerais. Tradicionalmente, agosto e setembro concentram os menores índices de umidade do ar, temperaturas mais elevadas, ventos mais fortes e longos períodos sem chuva, condições que favorecem a rápida propagação das chamas.
O cenário pode se tornar ainda mais preocupante caso haja influência do El Niño, fenômeno climático associado ao agravamento das estiagens, à intensificação das ondas de calor e à redução das chuvas em diversas regiões do país, fatores que aumentam significativamente o risco de incêndios florestais.
Segundo a corporação, a Região Central de Minas Gerais é a que concentra o maior número de atendimentos relacionados a incêndios em vegetação realizados pelo CBMMG, o que reforça a necessidade de ações preventivas e de conscientização da população.
Origem em ação humana
Os bombeiros destacam que quase todos os incêndios em vegetação têm origem em ações humanas. Entre as principais causas estão o descarte de bitucas de cigarro, queimadas para limpeza de terrenos, uso inadequado do fogo em áreas rurais e o descarte irregular de resíduos inflamáveis. Casos sem intervenção humana costumam estar associados a raios, descargas elétricas ou rompimento de cabos de energia, que podem iniciar focos em períodos de vegetação ressecada.
O alerta é reforçado pelo gerente de Operações da EPR Via Mineira, Anderson Finco. Segundo ele, muitas ocorrências começam fora da faixa de domínio da rodovia e acabam se espalhando até áreas próximas da pista, especialmente quando há vento e vegetação seca.
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Siga as orientações
O que fazer ao passar por um trecho da rodovia atingido por fumaça ou incêndio
Reduzir a velocidade gradualmente;
Aumentar a distância do veículo da frente;
Manter o farol baixo aceso;
Fechar os vidros e utilizar a ventilação interna ou o ar-condicionado;
Não parar sobre a pista ou no acostamento próximo ao incêndio;
Procurar um local seguro para estacionar caso a visibilidade fique comprometida.
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“Quando a vegetação está seca, uma pequena fagulha pode provocar a propagação do fogo, transformando um foco inicial em um incêndio de médio ou grande porte”, afirma Finco.
De acordo com a concessionária, a concentração de registros em municípios do entorno da BR-040 está relacionada tanto à proximidade com a rodovia quanto ao comportamento observado nessas regiões, o que reforça a necessidade de prevenção e conscientização durante o período de estiagem
Diante desse cenário, Minas Gerais vem intensificando ações de prevenção, preparação e resposta, com destaque para a elaboração do Plano Estadual de Enfrentamento ao Período de Estiagem.
O instrumento reúne diferentes órgãos estaduais e busca reduzir vulnerabilidades, fortalecer as medidas preventivas, ampliar a capacidade de resposta a incêndios e minimizar os impactos ambientais, econômicos e sociais causados pelas queimadas.
Os militares orientam que a população evite queimadas sem autorização, não descarte materiais inflamáveis em áreas de vegetação e acione imediatamente o 193 ao perceber fumaça ou focos de incêndio próximos a rodovias.
Além da prevenção, o período de seca exige uma estrutura de resposta rápida para evitar que os incêndios afetem o tráfego. Na BR-040, a EPR Via Mineira mantém equipes de plantão 24 horas e monitora o trecho por meio de câmeras e sistemas de alerta climático. As viaturas de inspeção podem acionar rapidamente caminhão-pipa, ambulâncias e equipes de apoio operacional, com suporte da Polícia Rodoviária Federal e do Corpo de Bombeiros em ocorrências de maior gravidade.
507 mil m2
Área de vegetação consumida por queimadas no segundo semestre de 2025 às margens da BR-040, no trecho entre BH e Juiz de Fora, o equivalente a…
71
campos de futebol destruídos pelas chamas nesse período
260
focos de incêndio foram registrados pelo Corpo de Bombeiros às margens de rodovias que cortam Minas, somente no mês passado
Segundo Anderson Finco, a identificação rápida dos focos próximos à rodovia é fundamental para impedir que o incêndio se espalhe e comprometa a segurança do tráfego.
Além dos prejuízos ambientais, a concessionária alerta que o maior impacto dos incêndios é a ameaça à segurança viária. A fumaça pode provocar perda de visibilidade, alterar o comportamento dos condutores e aumentar o risco de colisões, especialmente traseiras. “O comportamento correto é reduzir a velocidade, manter o fluxo e nunca parar o veículo no meio da fumaça.”
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Além dos danos ambientais, os incêndios representam uma ameaça direta à segurança viária. A fumaça reduz a visibilidade dos motoristas, pode provocar mal-estar e confusão mental nos ocupantes dos veículos e aumenta a possibilidade de acidentes graves. Em algumas situações, é necessário interditar trechos para o combate às chamas, causando retenções e impactos no transporte de cargas.
Com a chegada do período mais crítico da estiagem em Minas Gerais, entre julho e setembro, concessionárias e órgãos de segurança reforçam o alerta para prevenção. O histórico dos últimos anos mostra que é justamente nesse intervalo que os registros atingem os maiores volumes.
Dados do Corpo de Bombeiros mostram que o período seco concentra a maior parte dos incêndios em vegetação às margens das rodovias mineiras. Entre julho e setembro, os registros aumentam significativamente e atingem o pico durante o inverno.
Em 2024, o trimestre acumulou 1.864 ocorrências, com agosto registrando o maior número de casos do ano: 686 incêndios. Na sequência aparecem julho, com 601 registros, e setembro, com 577. Em 2025, o comportamento foi semelhante. Entre julho e setembro foram 1.503 incêndios, sendo agosto novamente o mês mais crítico, com 618 ocorrências, seguido por setembro (478) e julho (407).
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Já em 2025, com o acompanhamento de todo o ano, foram contabilizados 274 incêndios no trecho administrado pela empresa. Desse total, 210 ocorreram entre julho e dezembro, período que concentrou mais de 75% das ocorrências registradas no ano.
A área atingida também evidencia o impacto das queimadas. Ao longo de 2025, o fogo consumiu aproximadamente 598 mil metros quadrados de vegetação às margens da BR-040, o equivalente a cerca de 84 campos de futebol. Mais de 507 mil metros quadrados foram registrados apenas no segundo semestre, durante o período mais seco, representando 71 campos de futebol destruídos pelas chamas nesse intervalo.
O que diz a lei
Provocar incêndios às margens de rodovias pode resultar em multa e prisão
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Artigo 250 do Código Penal
Quem ateia fogo às margens de rodovias pode responder por crime ambiental, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão. Quando o incêndio coloca em risco a vida, a integridade física ou o patrimônio de terceiros, a pena é de três a seis anos de reclusão e multa. Nos casos culposos, sem intenção, a pena varia de seis meses a dois anos de detenção.
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O maior incêndio atendido pela concessionária em 2025 ocorreu em 4 de outubro, na altura do km 679,2, em Carandaí. As chamas atingiram cerca de 33 mil metros quadrados de vegetação e mobilizaram equipes da EPR Via Mineira e do Corpo de Bombeiros.
A previsão do Corpo de Bombeiros é de que os próximos meses sejam de alto risco para incêndios em vegetação em Minas Gerais. Tradicionalmente, agosto e setembro concentram os menores índices de umidade do ar, temperaturas mais elevadas, ventos mais fortes e longos períodos sem chuva, condições que favorecem a rápida propagação das chamas.
O cenário pode se tornar ainda mais preocupante caso haja influência do El Niño, fenômeno climático associado ao agravamento das estiagens, à intensificação das ondas de calor e à redução das chuvas em diversas regiões do país, fatores que aumentam significativamente o risco de incêndios florestais.
Segundo a corporação, a Região Central de Minas Gerais é a que concentra o maior número de atendimentos relacionados a incêndios em vegetação realizados pelo CBMMG, o que reforça a necessidade de ações preventivas e de conscientização da população.
Origem em ação humana
Os bombeiros destacam que quase todos os incêndios em vegetação têm origem em ações humanas. Entre as principais causas estão o descarte de bitucas de cigarro, queimadas para limpeza de terrenos, uso inadequado do fogo em áreas rurais e o descarte irregular de resíduos inflamáveis. Casos sem intervenção humana costumam estar associados a raios, descargas elétricas ou rompimento de cabos de energia, que podem iniciar focos em períodos de vegetação ressecada.
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Reduzir a velocidade gradualmente;
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Não parar sobre a pista ou no acostamento próximo ao incêndio;
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focos de incêndio foram registrados pelo Corpo de Bombeiros às margens de rodovias que cortam Minas, somente no mês passado
Segundo Anderson Finco, a identificação rápida dos focos próximos à rodovia é fundamental para impedir que o incêndio se espalhe e comprometa a segurança do tráfego.
Além dos prejuízos ambientais, a concessionária alerta que o maior impacto dos incêndios é a ameaça à segurança viária. A fumaça pode provocar perda de visibilidade, alterar o comportamento dos condutores e aumentar o risco de colisões, especialmente traseiras. “O comportamento correto é reduzir a velocidade, manter o fluxo e nunca parar o veículo no meio da fumaça.”