Audiência de custódia

A Justiça converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento da Polícia Militar (PMMG) de 37 anos investigado pela morte da esposa, uma capitã da corporação de 41 anos. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte.
Na decisão, o juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia da capital, entendeu que a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública e determinou que o militar permaneça preso enquanto as investigações prosseguem.

O caso tramita sob segredo de Justiça. Na terça-feira (21), o Judiciário já havia decretado sigilo sobre o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), restringindo o acesso público às informações do processo com o objetivo de resguardar direitos fundamentais dos envolvidos.

Em nota, a defesa do sargento informou que recebeu a decisão “com respeito”, mas afirmou discordar dos fundamentos que embasaram a conversão em preventiva. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, não haveria elementos que justificassem a manutenção da medida cautelar.

Entenda o caso

A capitã foi levada pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20), mas já chegou morta à unidade. Segundo o boletim de ocorrência, ela apresentava múltiplas lesões pelo corpo, e a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da entrada no hospital. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

Imagens do circuito interno do prédio onde o casal morava mostram o sargento carregando a mulher nos ombros até a garagem e colocando a esposa no carro antes de seguir para o hospital. As gravações fazem parte do conjunto de provas.

Em depoimento, o suspeito afirmou que ele e a esposa participaram de uma confraternização em casa, consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, depois, mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Segundo a versão do sargento, a esposa teria caído da escada da residência, recusado atendimento médico e, horas depois, sido encontrada sem sinais vitais.

Durante a perícia, policiais apreenderam um cabo de madeira quebrado no lixo do prédio, roupas de cama lavadas que estavam na máquina de lavar e comprimidos semelhantes a ecstasy descartados pelo sargento no hospital. O material passará por análise pericial.

A Polícia Civil também apura o histórico do investigado. Conforme registros policiais, uma ex-companheira do sargento relatou agressões físicas, ameaças e descumprimento de medida protetiva em 2016. O militar também registra prisão por embriaguez ao volante em 2023 e sanções disciplinares ao longo da carreira.