3° dia de Greve

Com a paralisação da coleta de lixo completando o terceiro dia em Belo Horizonte, os garis da capital mineira aguardam o desfecho de reuniões cruciais marcadas para a tarde desta quarta-feira (21). Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho, incluindo caminhões em bom estado, equipes completas (com quatro trabalhadores) nas rotas e mais segurança durante a coleta.

“Isso já deveria ter sido resolvido há muito tempo. São coisas que vêm gerando reclamações constantes, e mesmo após passarmos todas as queixas, elas não foram concluídas. Eles disseram o que fazer, mas agora, com a greve, vamos ver se acerta tudo”, disse um dos garis que estava na reunião dos trabalhadores e preferiu não ser identificado, com medo de represálias. 

Entre as principais reclamações dos trabalhadores estão o estado de conservação dos caminhões de coleta, a necessidade de um plano de saúde eficiente e a contratação imediata de, pelo menos, 40 novos profissionais para aliviar a sobrecarga do contingente atual. 

 A pauta de reivindicações também inclui o pagamento do vale-refeição até o dia 1º de cada mês e a regularização integral dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Um dos líderes do movimento, Tales Marcelo Alves afirma que um dos entraves para o fim da greve é a inclusão de uma cláusula que irá garantir que não haverá punições a nenhum trabalhador que aderiu à paralisação.

“Somente com o atendimento a essas condições nós voltaremos ao trabalho. No entanto, em relação à demissão em massa, que é uma das cláusulas ali, nós queremos retirar essa cláusula e incluir que não haverá demissão de nenhum funcionário que participou da greve”, destacou. 

Os trabalhadores participarão de uma audiência nesta quarta-feira (21), às 15h, na sede Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Funcionários, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Foram representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, da SLU e da empresa responsável pelos contratos dos funcionários.

Empresa responsável pela execução dos serviços de limpeza, a Sistema Serviços Urbanos (Sistemma) informou ter sido surpreendida pela paralisação, classificada por ela como "irregular" e  "legitimidade sindical". Segundo ela, a legislação exige comunicação prévia mínima de 72 horas, o que não teria sido respeitado. 

Além disso, a empresa alega a atuação de "terceiros" sem vínculo empregatício. "Essas condutas são especialmente graves porque podem induzir trabalhadores ao erro, expondo-os a riscos trabalhistas, inclusive à possibilidade de desligamentos, além de gerar prejuízos diretos à continuidade de um serviço público essencial, afetando toda a população de Belo Horizonte".

A Sistemma informou ter adotou "medidas judiciais cabíveis", com o devido acionamento do Tribunal Regional do Trabalho. A polícia também foi comunicada.