Entenda

Belo Horizonte deve enfrentar mais uma sequência de dias de ar seco, com umidade relativa em torno de 30% durante as tardes até as 18h de sábado (15), segundo alerta da Defesa Civil. O índice se aproxima de condições observadas em regiões desérticas, mas, na capital mineira, o ar seco se soma à presença de poluentes de veículos, queimadas, cigarro e outras fontes, combinação que pode aumentar a irritação das vias respiratórias, principalmente entre as crianças.

A pneumologista pediátrica do Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), Lívia de Oliveira, explica que a baixa umidade prejudica o funcionamento natural das vias respiratórias. Segundo ela, quando os índices ficam abaixo de 40%, ocorre um ressecamento da mucosa, a camada que reveste as vias aéreas. Isso também atrapalha o mecanismo responsável por ajudar a retirar impurezas do sistema respiratório.

"Quando a umidade está muito baixa, isso não é muito favorável à saúde respiratória. O ar seca, fazendo com que a gente tenha uma perda de água na superfície das vias aéreas. A nossa mucosa fica mais seca e isso prejudica o que a gente chama de limpeza das vias aéreas", explica.

O problema pode ser maior para crianças que já têm doenças respiratórias. De acordo com a médica, as crises de asma e os quadros de rinite alérgica estão entre as principais preocupações durante períodos de tempo seco. Mesmo crianças sem essas condições podem apresentar irritação e ressecamento no nariz e desconforto na garganta.

A situação pode se agravar quando o ar seco vem acompanhado de fumaça e poluição. A médica cita, além dos gases e partículas emitidos por veículos, a fumaça de queimadas e a exposição ao cigarro. Segundo ela, esses fatores podem intensificar a irritação das vias respiratórias e desencadear crises em crianças asmáticas.

"Você tem o tempo seco, ainda vai ter essa mucosa respiratória mais ressecada. Juntamente com a poluição do ar, isso pode irritar muito a via aérea. (...) Os poluentes do ar, as partículas de poluentes, podem aumentar ainda mais esse desconforto”, explica. 

Apesar da sequência de dias secos, o HIJPII ainda não registrou, até o momento, um aumento expressivo nas internações que a médica possa atribuir diretamente à baixa umidade. O pronto socorro do hospital teve quase 600 atendimentos gerais na semana epidemiológica 31, entre 2 e 8 de agosto, mas não foram disponibilizados dados específicos sobre doenças respiratórias ou sintomas relacionados ao tempo seco.

Orientações 

Para reduzir os efeitos do tempo seco, a principal orientação da pneumologista é manter as crianças hidratadas. Como nem sempre elas pedem água espontaneamente, os pais devem oferecer líquidos ao longo do dia.

A lavagem nasal com soro fisiológico também é recomendada. A médica alerta, porém, para o uso de produtos que contenham nafazolina, substância presente em alguns descongestionantes nasais.

Outra recomendação é evitar atividades físicas nos momentos de maior calor e baixa umidade, principalmente quando a criança já apresenta sintomas respiratórios. A médica também orienta evitar ambientes com muita poluição, fumaça de queimadas e exposição ao cigarro.

Recomendações da Defesa Civil 

Hidrate-se durante o dia; ⠀ 

Prefira alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas; ⠀ 

Evite frituras; ⠀ 

Durma em local arejado e umedecido por aparelhos umidificadores, ou ainda coloque uma bacia com água; ⠀ 

Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre as 10 e 17 horas; ⠀ 

Evite banhos com água muito quente, para não potencializar o ressecamento da pele, se necessário use hidratante; ⠀ 

Em caso de problemas respiratórios procure um especialista;  

Não provoque queimadas em lotes vagos, matas ou florestas. Em caso de incêndio avise imediatamente, ao Corpo de Bombeiros (193), Defesa Civil (199) ou Polícia Militar (190).