Belo Horizonte consolidou uma posição de destaque negativo no cenário nacional de crimes contra o patrimônio. De acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026), divulgado nesta quinta-feira (23/7), Belo Horizonte registrou uma taxa de 831,3 ocorrências de subtração de celulares por cada 100 mil habitantes em 2025.

O índice coloca a cidade na 16ª posição entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes que mais sofrem com esse tipo de crime. No contexto da região Sudeste, a capital mineira é uma das apenas seis cidades da região a figurar no "Top 20" nacional, dividindo o ranking com polos como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. Embora a liderança do ranking seja ocupada por São Luís (MA), com uma taxa de 1.517,0, a situação de Belo Horizonte preocupa as autoridades pela concentração do crime em centros urbanos densos.

Apesar do cenário ruim para a capital, o estado de Minas Gerais como um todo apresentou uma trajetória de queda. Em 2024, o estado registrava 44.847 aparelhos subtraídos, número que caiu para 38.935 em 2025, uma redução de 13,5%. 

Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a natureza do crime mudou. Atualmente, em todo o Brasil, seis em cada 10 celulares são subtraídos por meio de furto (sem violência direta), enquanto quatro em cada 10 derivam de roubos. Essa migração para o furto reflete uma estratégia dos criminosos para reduzir o risco de prisão em flagrante e identificação por câmeras, aproveitando-se de aglomerações e momentos de distração. 

“Os horários também revelam padrões distintos para estes crimes. O roubo tem dois picos ao longo do dia, sendo o primeiro entre às 5h e 6h da manhã, que concentram 9,9% de todas as ocorrências, e o segundo ao anoitecer: entre às 18h e às 23h ocorreram 4 em cada 10 roubos, com pico às 20h. Chama atenção essa mudança no padrão dos roubos, cada vez mais concentrados no período noturno, quando as pessoas estão voltando do trabalho/escola/faculdade. Como o roubo é um crime que exige interação entre o criminoso e a vítima, é de se supor que no período noturno seja mais simples para os assaltantes fugirem, e também com menos testemunhas.

O furto, por sua vez, acontece especialmente entre 10h e 12h (14,6%) e entre 17h e 20h (21,4%).

Outra possibilidade é que, no planejamento operacional das polícias militares, o período noturno esteja contando com menos efetivos nas ruas do que, pelos números, seria necessário”, destaca o estudo.

O roubo e furto de celulares tornou-se um dos principais gatilhos de insegurança no país. Pesquisas de vitimização mostram que 78,8% da população brasileira tem medo de ter o celular roubado. O temor não é apenas pelo prejuízo material, mas pelo que o aparelho representa: uma porta de entrada para golpes digitais e estelionatos, que cresceram mais de 400% no Brasil desde 2018.

Um dado relevante para o cenário mineiro é o aumento expressivo nos registros de receptação. Minas Gerais teve um salto de 29,9% nas ocorrências deste crime entre 2024 e 2025. Para os pesquisadores, o aumento da repressão ao mercado que compra esses aparelhos roubados é fundamental, pois "se a receptação se torna mais custosa e arriscada, o incentivo econômico para subtrair o bem enfraquece".

O Anuário destaca que os roubos costumam ocorrer majoritariamente no período noturno (entre 18h e 23h), quando as pessoas retornam do trabalho ou escola. Já os furtos são mais comuns em locais de grande circulação e eventos, como o Carnaval. 

Veja a lista dos 20 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de roubo e furto de celulares em 2025:

- São Luís (MA): 1.517,0
- Belém (PA): 1.487,0
- São Paulo (SP): 1.390,5
- Salvador (BA): 1.195,0
- Lauro de Freitas (BA): 1.144,5
- Porto Velho (RO): 1.123,2
- Manaus (AM): 1.107,1
- Olinda (PE): 1.060,3
- Ananindeua (PA): 979,5
- Teresina (PI): 975,3
- Recife (PE): 965,3
- Cariacica (ES): 932,2
- Vitória (ES): 930,8
- Marituba (PA): 863,2
- Macapá (AP): 831,6
- Belo Horizonte (MG): 831,3
- Natal (RN): 806,8
- Itapecerica da Serra (SP): 801,2
- Fortaleza (CE): 796,0
- Rio de Janeiro (RJ): 793,7