CAMPUS DE UBERABA

A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) suspendeu as aulas nesta semana após manifestação com apologias ao nazismo ter sido feita por um estudante do campus de Uberaba. O caso causou revolta entre os alunos, que protestaram contra o ato do colega. Houve confrontos entre professores e estudantes. O retorno das atividades está marcado para a próxima segunda-feira (31/8). 

Apologia ao nazismo é considerada crime no Brasil, com pena de reclusão. Atualmente, a universidade possui aproximadamente 8 mil estudantes, distribuídos entre os cursos de graduação e pós. 

Segundo relato do movimento estudantil da UFTM, na terça-feira (25/8), o aluno acusado de apologia ao nazismo estava em uma aula do curso de história em que era abordado um texto da filósofa alemã Hannah Arendt. O estudante então teria começado a fazer comentários “exaltando o criador da câmara de gás” e dizendo que “a comunidade LGBTQIAPN+ pagaria pelos pecados da pederastia”. 

O episódio gerou revolta em outros estudantes, que se manifestaram no Centro Educacional na quarta (26/8). No ato, os alunos narraram que foram vítimas de agressões de professores da instituição em duas circunstâncias diferentes. Em uma delas, um professor teria empurrado uma aluna. 

Diante dos fatos, a UFTM suspendeu as aulas até a próxima segunda-feira. A instituição afirmou que reconhece a legitimidade das manifestações da comunidade universitária, desde que feitas de modo "pacífico e respeitoso". 

Faculdade é processada por uso de cadáveres do Hospital de Barbacena
“Diante do cenário de tensão e da ausência, naquele momento, de condições adequadas de segurança para a comunidade acadêmica, a Reitoria determinou a suspensão das atividades acadêmicas nos dias 27 e 28 de agosto. As atividades serão retomadas normalmente no dia 31 de agosto”, afirmou a universidade, em nota. 

A universidade apontou ainda que as providências institucionais necessárias estão sendo tomadas e que apura a denúncia de eventuais irregularidades na instituição. A UFTM assegurou que os envolvidos terão o direito à ampla defesa e que estão sujeitos a sanções após a conclusão dos procedimentos de apuração. 

“A universidade repudia toda e qualquer forma de violência, racismo, nazismo, fascismo, homofobia, preconceito e intolerância, e reafirma seu compromisso com uma convivência democrática, plural e respeitosa entre todos os integrantes da comunidade acadêmica”, acrescentou o texto.

Recorrência

Ao Estado de Minas, os estudantes afirmaram que são vítimas de "opressão" de docentes recorrentemente e que "situações de preconceito são comuns na instituição". 

Em 2025, os estudantes teriam recebido ameaças de um grupo neonazista, que teria divulgado promessas de estupro coletivo e intimidação à comunidade LGBTQIAPN+. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), uma servidora da universidade procurou a delegacia, em Uberaba, em 28 de abril do ano passado, e registrou ocorrência policial.

"De imediato, a PCMG instaurou procedimento investigatório para apurar o possível ato ilícito de incitação ao crime, previsto no art. 286 do Código Penal. As diligências seguem em andamento visando identificar suspeitos. Já em relação aos fatos relacionados à população LGBTQIAPN+, até o momento, não recebemos nenhuma denúncia", afirmou a corporação, em nota.

A Reitoria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro veio a público à época e manifestou preocupação com os relatos de violência cometida contra membros da comunidade acadêmica. 

"Reforçamos que todas as providências adotadas – e as que ainda se fizerem necessárias – têm como princípio a defesa intransigente da integridade física e emocional de nossa comunidade. A UFTM não tolera qualquer forma de violência, assédio ou discriminação em seus espaços institucionais. Na nossa Universidade, todas as pessoas têm o direito de viver em paz", destacou a nota da UFTM.

 

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro