O desemprego registrou uma ligeira queda no Brasil ao final de 2021. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada nesta sexta-feira, apontou que a taxa de desempregados caiu de 12,1% para 11,6% ao final do trimestre de setembro a novembro de 2021. O índice, inclusive, é o menor registrado desde janeiro de 2020, quando o IBGE identificou um percentual de 11,4% pessoas sem trabalho.

Apesar da retração, a exclusão do mercado ainda atinge 12,4 milhões de trabalhadores no Brasil, de acordo com o estudo. Os principais setores que conseguiram efetivar contratações foram o da indústria geral (3,7%), construção (4,6%), comércio (4,1%), alojamento e alimentação (9,3%) e administração pública (2%). De acordo com o IBGE, os números indicam para uma trajetória de recuperação do mercado de trabalho nos últimos trimestres. 


No entanto, os dados podem estar sob impacto das vagas temporárias do final de ano. “É um período em que as atividades relacionadas principalmente a comércio e serviços tendem a aumentar as contratações”, diz a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, em nota. O impacto das vendas de final de ano foi um dos motivos que impulsionaram as contratações pelo empresário Ronymarco Lemos. 

Ele é proprietário da Koloro Indústria Gráfica, no Centro de Belo Horizonte, e efetivou todos os nove trabalhadores recrutados para vagas temporárias. “Durante a pandemia mandamos muita gente embora. Mas de julho para cá tivemos uma normalização, ainda fora dos níveis de 2019, que proporcionou uma estabilidade nas vendas demandando a contratação”, contou. Os cargos ocupados foram para trabalhar com vendas, impressão e demais serviços gráficos. 

Lemos diz que antes da pandemia tinha 49 funcionários e está com boas expectativas para 2022. “Hoje eu tenho 39 funcionários, tenho margem para subir. Quero chegar ao final do ano com uma recomposição desse quadro”, destaca. Balanço do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon) mostra que, até outubro de 2021, o setor conseguiu contratar 44.754 funcionários no Estado. 

No Brasil, o número de trabalhadores chamados para vagas em canteiros de obras foi de 284 mil, o melhor resultado em dez anos. Na avaliação do presidente da entidade, Renato Ferreira, pesaram positivamente a classificação da construção civil como serviço essencial e o acesso a financiamentos imobiliários. “A gente tem contratado muito, mas ainda falta mão de obra qualificada na construção civil. Saímos de um patamar de 2 milhões de trabalhadores para 2,5 milhões em dois anos”, analisa. 

Salário em baixa 


Apesar da movimentação nas contratações, a renda média dos brasileiros bateu o menor valor dos últimos dez anos no trimestre, conforme a Pnad. A pesquisa aponta que o rendimento habitual dos brasileiros foi de R$2.444. O economista da Fundação Getúlio Vargas, Rodolpho Tobler, explicou que a baixa na remuneração tem um impacto mais forte sobre a população mais vulnerável. 

A situação é ainda mais agravada com a inflação medida pelo IPCA em torno de 10%. “Esse grupo fica mais pressionado porque é onde afeta o poder de consumo, tendo mais dificuldade até mesmo para comprar ítens básicos”, analisa o professor. Tobler ainda opina que a recuperação ensaiada pelo mercado de trabalho ainda não apresenta motivo para celebração.

Ele diz que muitas vagas são ocupadas pagando salários mais baixos, ou em vagas informais. “É uma recuperação que ocorre muito pela informalidade, gerando esse rendimento mais baixo. Antes dos números positivos, é muito importante olhar a qualidade dos empregos que estão sendo gerados”, acrescenta.