Norte-coreanas consideradas “escravas” foram enviadas à Rússia para atuar em linhas de montagem, cozinhas e fazendas. De acordo com informações do jornal britânico The Sun, as mulheres chegaram ao país em grupos de 40 e recebem, nominalmente, cerca de R$ 32 pela hora trabalhada. Parte dos salários, porém, é desviada ao estado norte-coreano. 

A ida das trabalhadoras amplia o suporte da Coreia do Norte ao esforço de guerra em Moscou.  Ainda, segundo a reportagem do Sun, as mulheres são obrigadas a permanecer em grupos fixos, têm os documentos confiscados e estão sob supervisão constante de monitores do sexo masculino enviados de Pyongyang, capital da Coreia do Norte. 

Vale ressaltar que, conforme o jornal britânico, o controle imposto às norte-coreanas é absoluto, o que inclui monitoramento permanente, segregação e restrição total de movimentos dentro do território russo. Esse tipo de tratamento fez com que a o trabalho das mulheres fosse considerado escravo.

A cooperação entre Moscou e Pyongyang se aprofundou desde o início da invasão da Ucrânia. A inteligência sul-coreana estima que a Coreia do Norte arrecadou cerca de R$ 75 bilhões com o envolvimento anterior de suas forças, convertendo o conflito em fonte de receita para o regime de Kim Jong-un.

As condições impostas aos trabalhadores norte-coreanos enviados à Rússia já haviam sido documentadas anteriormente. Ainda, conforme o Sun, um relatório da organização Global Rights Compliance reuniu depoimentos que descrevem um sistema operado por "controle, abuso e coerção". Os homens dormem em beliches de compensado em barracões infestados de baratas, sem folgas e sem férias, sob vigilância constante e acordados por alto-falantes para turnos que podem durar 16 horas diárias, sete dias por semana.

As estimativas indicam que entre 2 mil e 3 mil norte-coreanos tenham morrido no conflito, a maioria na região de Kursk, onde combateram para conter uma incursão ucraniana ao território russo.