Os líderes dos países do sul da Europa defenderam nesta sexta-feira (14), em La Valeta, uma distribuição justa dos imigrantes que chegam pelo Mediterrâneo, no momento em que a Itália se recusa a receber um navio com emigrantes resgatados no mar.  
 
Os líderes de Chipre, França, Grécia, Itália, Malta, Portugal e Espanha declararam que a União Europeia deve "garantir a aplicação efetiva do princípio de solidariedade e divisão justa da carga entre os Estados membros" da União Europeia.
 
O grupo aprovou ainda o princípio de um salário mínimo e uma proteção social básica em cada país europeu, assim como um orçamento de intervenção para a zona do euro. 
 
"Trabalharemos por uma Europa Social", afirmou o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, ao final do encontro. 
 
"Queremos desenvolvimento econômico e competitividade, mas devemos redistribuir a riqueza para acabar com as desigualdades. Para conseguir isto, apostamos em um SMI [salário mínimo] europeu e em mais recursos para o orçamento da zona euro".
 
O presidente francês, Emmanuel Macron, acolheu com satisfação o acordo sobre o orçamento da zona do euro obtido no dia anterior entre os ministros das Finanças europeus, mas destacou que o valor é inferior ao desejado por Paris.
 
"Este primeiro passo não é suficiente, será preciso fazer mais", declarou Macron.
 
As sete nações que se reuniram em Malta nesta sexta-feira representam cerca de 40% da população e do produto interno bruto da União Europeia e metade de sua costa, segundo Malta.
 
A declaração final da Cúpula faz um apelo para que "se amplie os esforços para romper o modelo de negócios dos contrabandistas, com o objetivo de se evitar as trágicas perdas de vidas" dos imigrantes.
 
O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que assistiu à reunião, manifestou sua "frustração" pelo fato de a União Europeia "falar em solidariedade sem aplicá-la".
 
Um navio de resgate da ONG alemã Sea Watch se encontra atualmente diante da ilha italiana de Lampedusa, no sul do país, com 53 emigrantes a bordo que foram resgatados diante da costa da Líbia e têm seu acesso negado aos portos italianos.
 
O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, denunciou que os barcos de resgate impedem que a guarda costeira líbia recolha os emigrantes e os devolvam ao território líbio.
 
"Todos os navios que operam no Mediterrâneo devem respeitar as leis internacionais e não obstruir as operações da guarda costeira líbia".
 
Ao menos 12 mil pessoas morreram desde 2014 tratando de fugir da Líbia em direção à Europa.