O presidente detido da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, desembarcaram na manhã desta segunda-feira (5) no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, em Nova York. O casal foi capturado na madrugada do último sábado (3) por forças especiais norte-americanas durante uma incursão em Caracas. A operação incluiu bombardeios na capital e ações estratégicas no Forte Tiuna, na base aérea de La Carlota, no porto de La Guaira e no aeroporto de Higuerote.

O presidente Donald Trump, que acompanhou a ação em tempo real de seu gabinete, classificou a intervenção como a maior operação militar realizada desde a Segunda Guerra Mundial.

A audiência está marcada para as 14h (horário de Brasília) e será conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein. Aos 92 anos, Hellerstein é reconhecido como o magistrado mais experiente da corte. Paralelamente, o Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para discutir a captura do líder venezuelano. O Brasil participará das discussões, embora não possua direito a voto por não ser membro atual do grupo de 15 países.

Acusações 
A Justiça dos Estados Unidos formalizou uma série de acusações graves contra o casal. Entre os crimes listados estão conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras.

Além destas, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou no sábado à noite uma nova acusação contra Maduro, referente a um processo criminal por tráfico de drogas que tramita há 15 anos nos órgãos federais norte-americanos.
 
Transferência e segurança
O ex-líder venezuelano  foi transferido horas antes da audiência marcada para as 14h. Segundo o jornal The New York Times, Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram levados do Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, para um tribunal federal em Lower Manhattan, a cerca de oito quilômetros de distância.

Imagens divulgadas por agências internacionais de notícias mostram a movimentação do comboio.

Com a deposição de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela. A decisão foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) logo após Maduro ser retirado do poder em uma ação coordenada pelos Estados Unidos. O texto da decisão judicial afirma que ela assume o cargo para "garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação".

As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Rodríguez como presidente interina neste domingo. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou em rede nacional o respaldo à nova liderança pelo período de 90 dias.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que o país está “no comando” da Venezuela. Ao ser questionado sobre o contato com a nova gestão em Caracas, o republicano afirmou a jornalistas: “Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso. Isso significa que nós estamos no comando”.

Embate diplomático com a Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira que analisa o teor das falas de Trump antes de emitir uma resposta oficial àquilo que chamou de "ameaça ilegítima". A tensão aumentou após Trump cogitar operações militares na região e dirigir ataques pessoais a Petro, chamando-o de "homem doente".

Petro utilizou redes sociais para confrontar o líder norte-americano, defendendo a soberania de seu país e a legitimidade de seu mandato. Além das críticas diretas a Trump, o governo colombiano questiona a postura do secretário de Estado, Marco Rubio, acusado de tentar negociar diretamente com o exército da Colômbia à revelia da autoridade presidencial.