Nesta terça-feira, Vladimir Putin tomou posse como presidente da Rússia no seu quinto mandato em uma cerimônia no Kremlin. Putin está no poder desde 2000, mas também já ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 2008 e 2012.
 
O novo mandato tem previsão de durar mais seis anos, permitindo que Putin continue a ser o líder russo até pelo menos 2030. Apesar de ter garantido publicamente que não o faria, ele alterou a Constituição em 2020 para permitir a reeleição, o que poderá fazer de novo dentro de seis anos e, assim, permanecer no Kremlin até 2036.

A cerimônia de posse não contou com a presença de representantes e diplomatas dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e da maioria dos países europeus, que recusaram o convite, com exceção da França que anunciou que seria representado pelo seu embaixador na Rússia. Diversos países ocidentais se alinharam nas críticas à legitimidade democrática das eleições presidenciais na Rússia e não parabenizaram o chefe de Estado russo. “Não, não vamos enviar um representante para a tomada de posse. Não consideramos aquelas eleições livres e justas, mas ele é o presidente da Rússia e vai continuar nessa posição”, afirmou Matthew Miller, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.
 
Na segunda-feira, o alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, também apelou membros da UE para que não enviassem representantes diplomáticos à posse.
 
Em abril passado, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) adotou uma resolução que insta os membros a não reconhecerem Vladimir Putin como presidente da Rússia e a "cessarem todos os contatos, exceto os humanitários". Os representantes da oposição russa no exílio, incluindo Yulia Navalny, também fizeram pedidos semelhantes.

Em guerra com a Ucrânia e sob críticas do Ocidente, internamente Putin limitou profundamente a democracia na Rússia, prendendo os críticos e eliminando toda e qualquer oposição.
 
Discurso de Putin na posse
 
Na cerimônia, Putin fez o Juramento Solene do presidente e ainda agradeceu aos militares que participam na ‘operação militar especial’, sem, no entanto, mencionar a invasão da Ucrânia. “A essência do destino do chefe de Estado: proteger a Rússia e servir o nosso povo. É uma grande honra e um dever sagrado e é isso que tem dominado o conteúdo e o sentido do meu trabalho nos anos anteriores. No futuro, os interesses e a segurança do povo da Rússia continuarão a estar acima de tudo. Os cidadãos vão confirmar a segurança e a certeza do rumo da Rússia. O destino da Rússia será definido por nós e somente por nós. Determinação de defender os nossos valores, as nossas liberdades e os nossos interesses nacionais”, disse, acrescentando que o país enfrenta grandes desafios e que tem a certeza de que vão enfrentar com dignidade este período de ruptura e que isto deve ser visto como um profundo entendimento dos objetivos históricos partilhados.

Putin ainda prometeu fazer tudo para "cumprir" as expectativas dos cidadãos russos. "Vou usar todos os poderes e competências do chefe de Estado fixado pela Constituição. E os resultados deste trabalho dependem criticamente da nossa unidade, da nossa força, da nossa aspiração comum em servir a pátria, de protegê-la, de trabalhar com todo o empenho”, assegurou.
 
“Estaremos ainda mais fortes e vamos implementar os nossos planos a longo prazo e projetos de grande escala para os objetivos de desenvolvimento. “Isto é, antes de tudo, a proteção do nosso povo. A defesa dos valores ancestrais de família vai continuar a unir a sociedade, as organizações religiosas, os partidos políticos e todos os níveis de poder. Não recusamos o diálogo com os países do Ocidente. A escolha é deles. Vamos continuar a trabalhar na formação da ordem multipolar, num sistema de segurança igual. Num mundo complexo e em constante mudança temos que ser autossuficientes e competitivos, temos de abrir novos horizontes para a Rússia, como tem acontecido muitas vezes na nossa História”, declarou.