O Alto Comando Militar do Irã afirmou que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem levar à expansão da guerra na região e em outros locais. Trump prometeu destruir uma ponte ou uma central elétrica sempre que o Irã abrir fogo contra navios no Estreito de Ormuz.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, considera que as repetidas ameaças de Trump sobre destruir pontes e centrais elétricas iranianas são manifestações ilegais e criminosas. "A administração norte-americana pretende sacrificar aquilo que resta do direito humanitário internacional e os fundamentos da moralidade humana e da civilização à margem do seu apetite insaciável por guerra e morte", declarou Baqaei, acrescentando que a tentativa de Washington de justificar crimes de guerra não o absolveria do crime.

Mas, o Alto Comando Militar também garantiu que, caso os EUA cumpram com as ameaças, o regime iraniano impedirá o tráfego de petróleo no Golfo, além de atacar infraestruturas de petróleo, gás e de eletricidade nos países regionais. O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, avisou que poderá cortar o fornecimento de eletricidade dos aliados dos EUA no Oriente Médio, se pontes ou centrais elétricas do país sejam bombardeadas.

Segundo os meios de comunicação estatais iranianos, a Guarda Revolucionária realizou hoje ataques contra a base de Al-Adiri, no Kuwait. Além disso, a chancelaria criticou o Reino Unido por permitir que os EUA usem instalações militares britânicas para atacar o seu país. "Tal ação poderá constituir participação num ato de agressão contra o Teerã", acusou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

A Guarda Revolucionária iraniana ainda alertou as empresas de transportes que elas não devem usar rotas alternativas no Estreito de Ormuz e que os caminhos no sul da região possuem minas. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou que a situação só ficará estável quando Teerã puder também vender o seu petróleo e se a segurança do país não estiver assegurada, nenhuma infraestrutura regional estará a salvo. “A equação desta guerra é clara: ou para todos ou não é para ninguém”, declarou.

Já o grupo rebelde iemenita dos Houthis, apoiado pelo Irã, informou nesta quinta-feira (23) que atingiram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho como parte de um bloqueio à Arábia Saudita, cumprindo a ameaça que fizeram de criar um segundo ponto de estrangulamento em uma via vital e estratégica no abastecimento mundial de petróleo. Um porta-voz da milícia declarou que a decisão foi uma resposta ao que classificaram como um cerco injusto e opressor imposto ao Iêmen pelos sauditas.

Por sua vez, Teerã estava pressionando os Houthis a fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana.

Em contrapartida, o presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu que vai responsabilizará o regime iraniano pelas ofensivas dos Houthis a navios no Mar Vermelho. "Será infligido um severo castigo militar ao Irã e, naturalmente, aos próprios houthis, com os quais estou muito desapontado, porque, até agora, tinham agido de forma muito profissional e inteligente", indicou.

As forças norte-americanas também comunicaram que já redirecionaram nove navios e imobilizaram uma embarcação no Oriente Médio, que segundo o Comando Central dos EUA, é para garantir o bloqueio marítimo imposto aos portos iranianos.

Petróleo dispara com a escalada do conflito

A retomada do conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz e o recente bloqueio naval do Estreito de Bab el-Mandeb, impulsionou as tensões e abriu uma nova frente na guerra do Oriente Médio, ampliando a ameaça no fornecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo. Neste cenário agravante, o preço do petróleo tipo Brent, referência internacional, disparou hoje mais de 4% e chegou a quase 100 dólares a cotação do valor do barril.