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string(59) "Economia pode ser trunfo ou revés na reeleição de Macron"
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string(7964) "(FOLHAPRESS) - Se a atuação diplomática na guerra na Ucrânia rendeu frutos até aqui a Emmanuel Macron, candidato à reeleição na França, a campanha presidencial foi lançada oficialmente na última segunda-feira (28) com o mesmo Macron tentando impor o tema da economia na agenda política do país.
O primeiro turno está marcado para o próximo dia 10 de abril, e o atual presidente lidera as pesquisas mais recentes do instituto Ifop, com 29% das intenções de voto –seguido por Marine Le Pen (21%), Jean-Luc Mélenchon (15%), Eric Zemmour e Valérie Pécresse (empatados com 10%).
Aos principais concorrentes também interessa que a economia seja posta em debate, já que, de acordo com analistas, o assunto é um trunfo e ao mesmo tempo um desafio para Macron.
"Um bom balanço econômico está longe de definir uma eleição. Não são uma economia próspera e um PIB elevado que conduzem alguém à reeleição", diz Daniel Boy, diretor emérito de pesquisas da Sciences Po de Paris.
Muitos números, de toda forma, são favoráveis ao presidente, especialmente no cenário pós-pandemia. O mercado de trabalho, por exemplo, recuperou as perdas e foi além; a taxa de desemprego está em 7,4%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos. Ao ser eleito em 2017, Macron, que foi ministro da Economia de François Hollande por dois anos, prometeu baixar a taxa para 7%.
"A atividade econômica na França hoje é superior ao que tínhamos antes da crise sanitária, caso raro na Europa Ocidental. E a criação de empregos é a mais alta em décadas, há mais pessoas trabalhando agora do que no fim de 2019", afirma Nicolas Bouzou, diretor da consultoria Asterès, que destaca ainda a melhora do ambiente de negócios e da atração de investimentos locais e estrangeiros.
No que tange à microeconomia, porém, a perda do poder de compra da população pode incomodar o discurso de bonança. O assunto é especialmente delicado para um país que, entre 2018 e 2019, viu grandes manifestações capitaneadas pelos chamados coletes amarelos mobilizadas também em torno disso.
Depois das restrições da pandemia e do aumento nos preços de matérias-primas, a retomada trouxe consigo uma elevação da inflação –que hoje gira em torno de 3% na França e de 5% na Europa, de acordo com o Eurostat, escritório de estatísticas do Banco Central Europeu.
"Se temos inflação é justamente porque retomamos uma atividade econômica forte. E alguns setores de produção ainda não estão bem organizados no pós-crise, há falta de produtos, de semicondutores e outros componentes eletrônicos. Essa falta faz aumentar os preços", afirma Bouzou.
A guerra na Ucrânia também ajudou a agravar a questão energética que o continente enfrenta, comparada por alguns especialistas à crise do petróleo de 1973. Ainda que a França não seja dos países mais dependentes do gás russo (cerca de 20% do produto consumido no país vem de Moscou), o preço da eletricidade subiu em torno de 4% –o que pesa mais nos meses de inverno que passaram, em que as pessoas já pagam mais caro por aquecimento doméstico.
Analistas ponderam, então, que, por mais que a economia em geral vá bem, a despesa geral dos lares franceses está maior e isso deve ser colocado na conta do atual presidente. Daniel Boy afirma que o mais importante no cotidiano do país hoje não é a segurança pública, a imigração (temas da direita e da ultradireita) ou a macroeconomia (tema de Macron), mas o poder de compra.
Sob liderança de Macron, o governo distribuiu vales de 100 euros (R$ 581) para pagamento de energia e mais 100 euros em "cheques-inflação" para as famílias mais pobres, como uma forma de tentar mitigar os efeitos da perda do poder de compra. Não há, porém, segundo os especialistas, resposta a médio e longo prazo para ajudar os franceses a lidar com a alta de preços.
Para driblar a crise energética, o presidente anunciou –ainda em 10 de fevereiro, portanto antes da invasão promovida pela Rússia na Ucrânia– uma aposta na energia nuclear.
Aposta que é também uma mudança de posição, já que no início do seu mandato, em 2017, o plano era abandonar essa forma de geração de energia, da qual o país é o segundo maior gerador no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Agora, no final do quinquênio, Macron anunciou a encomenda de seis reatores de nova geração até 2050 e a possibilidade de iniciar a construção de outros oito. "A França está escolhendo sua independência e liberdade", disse na ocasião.
Por trás da iniciativa, segundo Boy, estão dois conceitos simples: soberania (tema que ganhou importância com as sanções aplicadas à Rússia) e continuidade na geração de energia. Ainda que o francês tenha anunciado que também vai investir em fontes renováveis, as análises focaram o aspecto nuclear, debatido em todo o continente –a Alemanha, por exemplo, tem um programa de eliminação progressiva dessa matriz.
As emissões da energia nuclear são significativamente mais baixas do que as de carvão, petróleo e gás natural. Ainda assim, em comparação com a energia eólica e solar, os custos da tecnologia são muito mais altos e a construção de usinas nucleares leva muito mais tempo. Entre os candidatos presidenciais, praticamente apenas Mélenchon e Yannick Jadot (Verdes), ambos mais à esquerda, indicaram restrições a esse tipo de energia.
Segundo Bouzou, se Macron conseguir impor o tema econômico, no primeiro e em um provável segundo turno, de um ponto de vista da geração de empregos ("mais concreto") em vez de falar do crescimento do PIB ("mais abstrato"), tem a possibilidade de convencer parte da população e tirar o foco dos temas que os nomes à direita –Le Pen, Zemmour e Pécresse– buscam destacar.
"Não adianta convencer os franceses da base da pirâmide de que a macroeconomia vai bem. Eles precisam de soluções: preço da energia mais baixo, empregos mais bem pagos, casas mais baratas, chegar ao fim do mês sem aperto", afirmou Bozou.
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A guerra na Ucrânia também ajudou a agravar a questão energética que o continente enfrenta, comparada por alguns especialistas à crise do petróleo de 1973. Ainda que a França não seja dos países mais dependentes do gás russo (cerca de 20% do produto consumido no país vem de Moscou), o preço da eletricidade subiu em torno de 4% –o que pesa mais nos meses de inverno que passaram, em que as pessoas já pagam mais caro por aquecimento doméstico.
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