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A imprensa portuguesa fala em empate técnico e, seja quem vencer as legislativas, terá de costurar alianças para governar. Desde 1974, quando a democracia foi instaurada, o PS, do primeiro-ministro António Costa, e o Partido Social Democrata (PSD), liderado pelo ex-prefeito do Porto Rui Rio, dirigem o país.
Dezenove partidos disputam o pleito e quatro deles têm entre 5% e 7% das intenções de voto. De acordo com analistas, o Chega, de extrema-direita, deve registrar um forte avanço, depois da estreia no Parlamento em 2019, quando elegeu apenas um deputado, consolidando-se como a terceira maior força política no país. Já os ex-aliados do PS — o Bloco de Esquerda e a coalização dos comunistas e verdes — podem amargar uma lição dos eleitores. Ambos se recusaram a aprovar o projeto orçamentário de 2022, o que levou à convocação antecipada das eleições.
Alianças
Em anos anteriores, o PS contou com o apoio da centro-esquerda e da esquerda radical para garantir os votos necessários para a aprovação orçamentária. Porém, António Costa perdeu os aliados, que se posicionaram contra, especialmente, os gastos com saúde e direitos dos trabalhadores.
Costa começou a campanha demonstrando pouca disposição para negociar com a esquerda radical e com a centro-direita. Com 38% das intenções de voto para o PS, as legislativas pareciam mais definidas. Porém, com o equilíbrio de forças apontado pelas pesquisas, o primeiro-ministro admitiu que pode conversar até mesmo com o Chega, que deve alcançar 7% da preferência dos eleitores.
Criticando a decisão "irresponsável" dos ex-aliados, dos quais espera não depender mais para governar, Costa pede aos eleitores que lhe deem a maioria absoluta que lhe escapou em 2019. Se não atingir esse objetivo, já disse que tentará governar sozinho, negociando apoio parlamentar caso a caso ou contando com um pequeno partido.
"É provável que se mantenha o atual equilíbrio de forças", avalia o cientista político José Santana Pereira, da Universidade de Lisboa, acrescentando que será complicado para Costa formar um governo estável sem os partidos da esquerda radical. No entanto, António Costa é um político nato e, aos olhos do eleitorado, está mais bem preparado que Rui Rio", muito contestado em seu próprio campo, observa a analista Marina Costa Lobo.
Durante o primeiro mandato do socialista, o país passou por quatro anos de crescimento econômico, o que lhe permitiu reverter a política de austeridade implementada após a crise da dívida de 2011, ao mesmo tempo em que registrou o primeiro superávit orçamentário de sua história recente. Os últimos dois anos foram marcados pela crise sanitária, da qual Portugal espera sair em breve graças a uma das taxas de cobertura vacinal mais elevadas do mundo (89,2%).
Ainda assim, 1,2 milhão de eleitores estão isolados, embora essas pessoas tenham sido autorizadas a sair de casa, amanhã, para votar. Essa é a terceira vez que os portugueses vão às urnas depois da reeleição, há um ano, do presidente conservador Marcelo Rebelo de Sousa. Em setembro, houve o pleito municipal, vencido pelos socialistas que, porém, perderam a importante prefeitura de Lisboa. Ontem, em uma mensagem divulgada pela televisão, o governante ressaltou a necessidade de se formar um Parlamento que aprove o orçamento de 2022, para que o país tente a retomada econômica pós-Covid.
Salário mínimo
Um dos temas mais espinhosos, fundamentais para a rejeição da proposta orçamentária, foi o aumento do salário mínimo. O premiê António Costa se comprometeu a continuar elevando o valor, até chegar a mil euros em 2026. Enquanto a esquerda radical achou a proposta insuficiente, pedindo mais esforços para elevar o poder aquisitivo dos portugueses, a direita defende a austeridade, afirmando que a competitividade do país depende do congelamento de salários.
O salário mínimo de Portugal, 822 euros, é um dos mais baixos da Europa. Estima-se que 900 mil trabalhadores no país vivam com esse valor. Quando Costa assumiu, em 2015, encerrando a política de rigor orçamentário da direita, o valor era de 589 euros.
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A imprensa portuguesa fala em empate técnico e, seja quem vencer as legislativas, terá de costurar alianças para governar. Desde 1974, quando a democracia foi instaurada, o PS, do primeiro-ministro António Costa, e o Partido Social Democrata (PSD), liderado pelo ex-prefeito do Porto Rui Rio, dirigem o país.
Dezenove partidos disputam o pleito e quatro deles têm entre 5% e 7% das intenções de voto. De acordo com analistas, o Chega, de extrema-direita, deve registrar um forte avanço, depois da estreia no Parlamento em 2019, quando elegeu apenas um deputado, consolidando-se como a terceira maior força política no país. Já os ex-aliados do PS — o Bloco de Esquerda e a coalização dos comunistas e verdes — podem amargar uma lição dos eleitores. Ambos se recusaram a aprovar o projeto orçamentário de 2022, o que levou à convocação antecipada das eleições.
Alianças
Em anos anteriores, o PS contou com o apoio da centro-esquerda e da esquerda radical para garantir os votos necessários para a aprovação orçamentária. Porém, António Costa perdeu os aliados, que se posicionaram contra, especialmente, os gastos com saúde e direitos dos trabalhadores.
Costa começou a campanha demonstrando pouca disposição para negociar com a esquerda radical e com a centro-direita. Com 38% das intenções de voto para o PS, as legislativas pareciam mais definidas. Porém, com o equilíbrio de forças apontado pelas pesquisas, o primeiro-ministro admitiu que pode conversar até mesmo com o Chega, que deve alcançar 7% da preferência dos eleitores.
Criticando a decisão "irresponsável" dos ex-aliados, dos quais espera não depender mais para governar, Costa pede aos eleitores que lhe deem a maioria absoluta que lhe escapou em 2019. Se não atingir esse objetivo, já disse que tentará governar sozinho, negociando apoio parlamentar caso a caso ou contando com um pequeno partido.
"É provável que se mantenha o atual equilíbrio de forças", avalia o cientista político José Santana Pereira, da Universidade de Lisboa, acrescentando que será complicado para Costa formar um governo estável sem os partidos da esquerda radical. No entanto, António Costa é um político nato e, aos olhos do eleitorado, está mais bem preparado que Rui Rio", muito contestado em seu próprio campo, observa a analista Marina Costa Lobo.
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Ainda assim, 1,2 milhão de eleitores estão isolados, embora essas pessoas tenham sido autorizadas a sair de casa, amanhã, para votar. Essa é a terceira vez que os portugueses vão às urnas depois da reeleição, há um ano, do presidente conservador Marcelo Rebelo de Sousa. Em setembro, houve o pleito municipal, vencido pelos socialistas que, porém, perderam a importante prefeitura de Lisboa. Ontem, em uma mensagem divulgada pela televisão, o governante ressaltou a necessidade de se formar um Parlamento que aprove o orçamento de 2022, para que o país tente a retomada econômica pós-Covid.
Salário mínimo
Um dos temas mais espinhosos, fundamentais para a rejeição da proposta orçamentária, foi o aumento do salário mínimo. O premiê António Costa se comprometeu a continuar elevando o valor, até chegar a mil euros em 2026. Enquanto a esquerda radical achou a proposta insuficiente, pedindo mais esforços para elevar o poder aquisitivo dos portugueses, a direita defende a austeridade, afirmando que a competitividade do país depende do congelamento de salários.
O salário mínimo de Portugal, 822 euros, é um dos mais baixos da Europa. Estima-se que 900 mil trabalhadores no país vivam com esse valor. Quando Costa assumiu, em 2015, encerrando a política de rigor orçamentário da direita, o valor era de 589 euros.