EUROPA

No último domingo (2), cerca de 200 mil pessoas foram as ruas em Berlim se manifestar contra a aproximação da direita conservadora do partido CDU (União Cristã Democrática) com o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), transpondo o limite que o país sustenta desde o fim da Segunda Guerra Mundial de não fazer coligações com os radicais extremistas, que classifica como um "cordão sanitário" ou barreira política.

Os manifestantes se concentraram junto ao Parlamento alemão (Bundestag), e depois seguiram em direção à sede do CDU, que recentemente fez a aproximação sem precedentes com o ultranacionalista e populista AfD, ao firmar uma aliança na política de imigração.

"Que vergonha, CDU” ou "Merz sem coração", em referência ao líder da CDU, Friedrich Merz, foram às frases escritas em cartazes empunhados pelos manifestantes, que contestaram e reprovaram à decisão na semana passada dos conservadores democratas-cristãos de se aliarem a AfD com o objetivo de tentar passar no parlamento a lei que endurecia a imigração no país, incluindo os pedidos de asilos políticos e o controle permanente em todas as fronteiras da Alemanha.

Um acordo parlamentar que desfez um tabu na política da Alemanha, uma vez que desde o fim da Segunda Guerra Mundial os partidos tradicionais recusam qualquer colaboração nacional com a extrema-direita, que chamam de barreira política (Brandmauer) e que desta vez foi rompida. A maioria da população e especialistas também associam o AfD a uma ascensão do nazifascismo na Alemanha, um aspecto muito sensível e rejeitado no país devido ao seu passado histórico.

Na quinta-feira (30), manifestantes se reuniam em mais de 50 cidades alemãs e no sábado (1), mais de 220 mil pessoas já tinham protestado nas principais cidades do país, como Hamburgo, Leipzig, Stuttgart e Colônia. Os protestos também ocorreram a três semanas das eleições legislativas na Alemanha.

O projeto de lei dos conservadores da CDU, que pretendia uma política de migração mais radical e rigorosa não foi aprovada na sexta-feira (31) no parlamento alemão com 350 votos contra, apesar da aliança com a AfD. Partidários do próprio CDU votaram contra.

A votação no parlamento aconteceu após dois dias da moção apresentada pela CDU, não vinculativa, ter sido aprovada com o apoio do partido de extrema direita alemã (AfD), que projetou e representou um forte caráter simbólico. Desde então inúmeros protestos e criticas de autoridades e personalidades tomaram conta do país.