A longa sequência invicta do Atlético de Eduardo Domínguez chegou ao fim. Neste sábado (5/9), o Galo foi derrotado por 2 a 0 pelo São Paulo no Morumbis, em São Paulo, pela 26ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

O alvinegro – que tinha oito desfalques – sofreu para criar chances durante a maior parte da partida. No primeiro tempo, teve problemas com a saída de bola pela forte pressão do São Paulo, que se aproveitava da ausência de Everson – excepcional com a bola no pé, qualidade não tão presente no substituto, Gabriel Delfim – e da alternativa linha defensiva do Galo, que tinha apenas o jovem Vitão como zagueiro de ofício, ao lado de Natanael e Alan Franco improvisados na zaga.

Mesmo sendo bombardeado de cruzamentos, o Atlético conseguia defender bem a área. E, no segundo tempo, com as entradas de Fred e Vitor Hugo – que estavam sendo poupados visando o jogo contra o Santos -, o Atlético teve leve melhora na construção. Contudo, no melhor momento da equipe no jogo, “apagão defensivo” levou o São Paulo a fazer dois gols em um intervalo de três minutos, com o atacante Luciano e o lateral-esquerdo Iago.

Fim da invencibilidade do Atlético

O Atlético vê a maior sequência de invencibilidade desde 2022 chegar ao fim. O Galo vinha de 14 jogos invictos, com oito vitórias e seis empates nesse intervalo.

Contudo, a equipe alvinegra segue de cabeça erguida, já que tem boas chances de título em duas competições: está nas semifinais da Copa do Brasil, fase na qual enfrentará o Grêmio, após eliminar o arquirrival Cruzeiro nas quartas; e está nas quartas de final da Copa Sul-Americana, fase na qual enfrentará o Santos, após eliminar o Red Bull Bragantino nas oitavas.

Próximos jogos de São Paulo e Atlético

Ambos os times agora concentram as atenções na Copa Sul-Americana. O Atlético encara o Santos nesta quarta-feira (9/9), a partir das 19h, na Vila Belmiro, em Santos, pela partida de ida das quartas de final da competição.

Já o São Paulo enfrentará o Boca Juniors na terça-feira (8/9), a partir das 21h30, em La Bombonera, em Buenos Aires, capital da Argentina, também pelo jogo de ida das quartas da Sul-Americana.

O jogo

O São Paulo teve maior volume ofensivo ao longo de todo o primeiro tempo. A primeira chance veio logo aos dois minutos, quando Wendell cruzou e Luciano cabeceou para fora, levando perigo ao gol de Gabriel Delfim.

O Atlético se postava com a linha defensiva mais recuada, como já é de praxe na maioria das partidas sob o comando de Eduardo Domínguez. Contudo, sofria com a enorme dificuldade de sair jogando. O alvinegro estava sem Everson, que se destaca tanto por defesas difíceis quanto por ser o primeiro construtor das jogadas da equipe – Gabriel Delfim, substituto dele, não se mostrava tão confortável com a bola no pé.

Além disso, o Galo jogava com linha defensiva bem alternativa, devido às lesões de Lyanco, Léo Duarte e Ruan Tressoldi e à decisão de poupar Vitor Hugo. Vitão era o único zagueiro de ofício e formava um trio com Natanael, lateral-direito de origem, que fechava a zaga pela direita; e Alan Franco, volante de origem, que fechava pela esquerda.

Sabendo disso, o São Paulo impunha uma pressão alta e dificultava as construções alvinegras, forçando diversos chutões de Delfim e ligações diretas dos defensores. Além disso, como apenas Vitão se destacava pela estatura na linha defensiva – Natanael e Alan Franco são baixos -, o tricolor abusava dos cruzamentos.

E foi justamente em um cruzamento que o tricolor paulista conseguiu balançar as redes. Aos 32 minutos, Gabriel Delfim fez boa defesa em chute do ala-direita Lucas Ramon. No lance seguinte, contudo, Ramon cruzou e o atacante Gustavo Santana conseguiu se antecipar a Vitão para cabecear no canto direito do goleiro do Atlético, de forma indefensável. Segundos depois, o impedimento semiautomático anulou o gol.

Com exceção desse lance, o Atlético conseguiu proteger bem a área de defesa, apesar do bombardeio de cruzamentos e da alta presença do São Paulo no campo de ataque. Contudo, não conseguia escapar com contra-ataques e não criou boas chances – a única finalização alvinegra foi aos 42 minutos, quando Natanael arriscou chute rasteiro de longe, e a bola saiu para fora, relativamente próxima à trave direita de Rafael.

Segundo tempo

Eduardo Domínguez percebeu o problema do Atlético na saída de bola e, para tentar solucioná-lo, colocou Vitor Hugo no lugar de Kevin Castaño, avançando Alan Franco para o meio-campo. Além disso, trocou Fred por Bernard, para melhorar a construção ofensiva do time, que foi praticamente nula no primeiro tempo. e colocou Cassierra no lugar de Reinier visando uma melhor recepção de eventuais ligações diretas.

O São Paulo começou o segundo tempo “em cima” novamente e, aos quatro minutos, o meio-campista Marcos Antônio quase fez belo gol de cobertura em chute de fora da área. Aos nove, Marcou gerou outra boa chance para o tricolor – cruzou escanteio com efeito e encontrou Domingos Duarte, que cabeceou tirando tinta do gol de Gabriel Delfim.

As substituições no intervalo melhoraram o Galo, que passou a ter mais a bola, começou a controlar o meio-campo com Fred e inclusive arriscou pressionar mais o São Paulo. Contudo, o bom momento alvinegro durou pouco – Dorival Júnior fez leitura rápida, colocou Pablo Maia e Iago em campo e as mudanças rapidamente surtiram efeito.

Aos 19 minutos, o São Paulo voltou a ter chance – Artur recebeu no ataque, pedalou e driblou Vitor Hugo e arriscou chute de longe, mas a finalização sobrevoou o travessão alvinegro. Dois minutos depois, o tricolor enfim furou o “ferrolho” defensivo alviengro: Artur recebeu na ponta-direita, cruzou rasteiro e encontrou Luciano livre na pequena área: 1 a 0.

O gol inflamou a torcida no Morumbis e, no minuto seguinte, o time paulista quase ampliou o placar: Calleri adentrou a área e cruzou para Artur, que cabeceou acima do travessão próximo à pequena área. E, aos 23, o São Paulo enfim fez valer o bombardeio de cruzamentos: Lucas Ramon fez cruzamento perfeito na ponta-direita e encontrou Iago livre na grande área; o lateral-esquerdo cabeceou com maestria e superou Delfim: 2 a 0.

O Atlético se lançou no ataque e até teve boa chance aos 30 minutos, quando bola sobrou para o atacante equatoriano Alan Minda na área – o jovem, contudo, isolou o chute. Depois disso, o alvinegro não conseguiu mais criar boas chances e esteve mais próximo de tomar o terceiro gol em alguns momentos do que de diminuir a vantagem adversária.

Aos 36 minutos, o zagueiro equatoriano Arboleda quase transformou a vitória em goleada: cabeceou após cobrança de escanteio e obrigou Gabriel Delfim a fazer bela defesa. Aos 37, Luciano pegou rebote na entrada da área e quase encobriu Delfim, que novamente fez boa defesa e jogou a bola para escanteio.

São Paulo 2 x 0 Atlético

São Paulo:Rafael; Arboleda, Domingos Duarte e Sabino; Lucas Ramon, Danielzinho (Pablo Maia, aos 17′ do 2ºT), Mascos Antônio e Wendell (Iago, aos 17′ do 2ºT); Artur (Djhordney, aos 34′ do 2ºT), Luciano (Ferreira, aos 39′ do 2ºT) e Gustavo Santana (Calleri, aos 17′ do 2ºT). Técnico: Dorival Júnior.

Atlético: Gabriel Delfim; Natanael, Vitão, Alan Franco e Renan Lodi; Castaño (Vitor Hugo, no intervalo), Alexsander (Alan Minda, aos 24′ do 2ºT), Victor Hugo (Gustavo Scarpa, aos 34′ do 2ºT) e Bernard (Fred, no intervalo); Cuello e Reinier (Cassierra, no intervalo). Técnico: Eduardo Domínguez

Motivo: 26ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro

Local: MorumBis, em São Paulo
Data: 5 de setembro de 2026
Gols: Artur (21′ do 2ºT) e Iago (23′ do 2ºT)
Cartões amarelos: Djhordney (São Paulo) e Tomás Cuello (Atlético)
Cartões vermelhos: não houve
Público: 39.068
Renda: R$ 1.711.850,00
Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)
Assistentes: Thiaggo Americano Labes (SC) e Alex dos Santos (SC)
VAR: Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ)