Educação, saúde, segurança e trabalho são alguns dos grandes temas que povoam as cabeças de muitas pessoas com preocupações que chegam a tirar o sono, um dos pilares para a saúde mental. Observando e analisando o ponto da saúde, é importante lembrar inicialmente que a Constituição Brasileira estabelece em seu Artigo 196 que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Mas como se dá isso na prática a partir do Sistema Único de Saúde – SUS que é um referencial para quem tem foco em saúde pública?

Fica claro que o SUS atende a todos conforme a sua capacidade de processo. E isso abriu no mercado um espaço para atuação no setor privado da saúde, regulamentado e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Mas quem tem poder aquisitivo suficiente para pagar um plano de saúde nas diversas modalidades e limites técnicos para consultas médicas, exames laboratoriais e de imagens para apoio ao diagnóstico, cirurgias, internações hospitalares em apartamentos individuais, no coletivo de uma enfermaria ou numa unidade de terapia intensiva – UTI se houver vaga?

Segundo a ANS, existem atualmente no Brasil 53,3 milhões de pessoas com algum tipo de plano de saúde, que vão dos mais limitados até aos mais completos. Aliás, os preços dos planos aumentam todo ano em índices bem superiores à inflação anual medida pelo IPCA do IBGE.

Chamou minha atenção a campanha publicitária de um plano de saúde de grande porte oferecendo algumas vantagens de momento para que ex-clientes voltem a participar de algum de seus planos. Será que é fácil reconquistar um cliente perdido? Mas o fato é que está crescendo no mercado o número de planos de saúde populares que cobram mensalidades na faixa de R$50, com a primeira consulta a R$40 e R$80 a partir da segunda consulta. O negócio é ganhar no volume e não na margem.

Recentemente já no primeiro mês do novo ano, um participante de um plano dessa modalidade popular fez sua primeira consulta com uma psiquiatra após um encaixe em sua agenda. Tudo durou cinco minutos, tempo suficiente para ouvir a queixa do cliente, emitir a receita de um medicamento e marcar o retorno após três meses de uso do remédio. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda que a duração mínima de uma consulta médica deve ser de 15 minutos. Como os fatos não deixam de existir só porque são ignorados, negados ou justificados, até quando os clientes das diversas modalidades de planos de saúde conseguirão pagar suas mensalidades?

Viva o SUS! Destino natural de quem precisa e quer saúde.