Quem não se sente tocado pela canção de César Menotti e Fabiano que virou hino da capital mineira: “É aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar, pois não há lugar melhor que BH”. Aos 121 anos a capital coleciona problemas, alguns insolúveis, outros nem tanto, e é sobre um deles que desejo falar, o trânsito nosso de cada dia, que vai de mal a pior.

Ele depende menos de recursos, mais de decisões políticas, quebra de paradigmas e mudança urgente na escalação do time que comanda o tema há 30 anos. Uma coisa todo cidadão belo-horizontino teimoso concorda, o refrão da dupla sertaneja que exalta a cidade que vivemos é incompatível com o que vem sendo oferecido para a população.

A capital tem sido vítima do descaso e o resultado todos conhecem. Ir e vir virou tormento e isso já não afeta mais autoridades e nem a opinião pública, acomodaram-se. Estamos nos acostumando com engarrafamentos e com as desculpas de sempre para justificar a falta de atitudes. Vejo agentes públicos fazendo interpretações erradas do fenômeno, tirando ele da pauta de prioridades como se o problema fosse menor do que parece. Impera a mediocridade quando o assunto é mobilidade.

Poderíamos perguntar onde moram esses agentes públicos que cuidam do trânsito e se a cidade que eles tem na cabeça é a mesma que conhecemos. BH tem a maior frota de veículos do país per capta. São dois milhões de veiculos e 40 anos sem obras estruturais. Mas a turma do “deixa disso” insiste em apostar no BRT, Mobicentro, Zona 30 e ciclovias como alternativas de enfrentamento do problema. Tem até quem diga que obra não resolve. O que resolverá?

Aos 121 anos a população mostra no comportamento explicitamente o que ela deseja, mas o poder público segue inerte. Todas as ações da BHTrans, visam diminuir fluidez e tirar carros das ruas na marra. Não há perspectivas de corredores que atravessem a capital sem interrupção de trafego, tirando carros de onde eles não deveriam circular. Exemplo? Praça da Liberdade; Praça da Assembleia, no entorno do Mercado Central etc.

A engenharia é unânime ao afirmar que a cidade não pode mais preterir obras viárias e transporte de qualidade. Varrer o problema para debaixo do tapete e aumentar o número de sinais, radares, estreitar vias e alargar passeios com o argumento “politicamente correto” de que a cidade é para as pessoas, não é caminho, é puxadinho. Carros não são entidades autônomas conduzidas por et´s, insisto, são conduzidos por pessoas que fizeram escolhas e merecem consideração.

Vejo no silencio de autoridades desrespeito ao contribuinte. Dar de ombros é dizer que não se tem domínio da situação. Prefeito Alexandre Kalil, acorde enquanto é tempo, a cidade precisa de um novo time para conduzir o assunto, sem vieses ideológicos, menos acomodados, mais pró-ativos e comprometidos com resultados…

Jornalista – DRT 17.076 – MG

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