A temporada de premiações de cinema segue aquecida nos Estados Unidos, que terá, neste domingo (15/2), a 41ª edição do Independent Spirit Awards. Organizada pela Film Independent, a cerimônia será apresentada pela comediante e atriz Ego Nwodim, no Hollywood Palladium, em Los Angeles. “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, concorre na categoria de Melhor Filme Internacional. 

O Spirit Awards consolidou-se como vitrine de um cinema de risco, privilegiando filmes feitos com orçamentos enxutos, mas com ousadia estética. Não por acaso, as indicações reiteram a diversidade temática do prêmio, que vai do drama intimista à experimentação narrativa.

Entre os indicados na categoria principal, a de Melhor Filme, estão “O dia de Peter Hujar”, de Ira Sachs; “The plague”, de Charlie Polinger; “Sorry, baby”, de Eva Victor; “Sonhos de trem”, de Clint Bentley, pelo qual o fotógrafo brasileiro Adolpho Veloso concorre ao Oscar; e “Twinless – Um gêmeo a menos”, de James Sweeney.

Na disputa por direção, Clint Bentley, Ira Sachs e Eva Victor aparecem ao lado de Mary Bronstein (“Se eu tivesse pernas, eu te chutaria”) e Lloyd Lee Choi (“Lucky Lu”).

Uma das características do Spirit Awards é a categoria de atuação sem distinção de gênero. Em Melhor Performance Principal, concorrem Rose Byrne, Joel Edgerton, Tessa Thompson, Ben Whishaw e Keke Palmer.

O Brasil está representado na categoria de Filme Internacional com “O agente secreto”. Ao lado da produção brasileira disputam “All that’s left of you”, da Jordânia; “On becoming a guinea fowl”, da Zâmbia; “Um poeta”, da Colômbia; e o espanhol “Sirat”, que também enfrenta o longa brasileiro na disputa por essa categoria no Oscar, no próximo dia 15 de março. 

O longa de Kleber Mendonça Filho surge como um dos favoritos. No ano passado, saiu do Festival de Cannes com os prêmios de Melhor Ator (Wagner Moura) e Direção, além de ter conquistado duas distinções paralelas: o da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) e o Prix des Cinémas Art et Essai, concedido por exibidores independentes da França.

Aplaudido por 18 minutos na Riviera Francesa, o filme vem acumulando destaque internacional desde então. Passou por Sydney (Austrália), Wroclaw (Polônia), Lima (Peru), Telluride (EUA), Wellington (Nova Zelândia) e Melbourne (Austrália). Depois, retornou à França para exibição no Festival Cinéma Paradiso Louvre, em Paris. Até o momento, o longa acumula mais de 60 prêmios.

O Spirit Awards, porém, não deve ser visto como termômetro do Oscar. Talvez funcione mais como contraponto. Se a Academia privilegia grandes estruturas e campanhas robustas, o Spirit reafirma o valor da invenção, do risco e do cinema que nasce à margem dos grandes estúdios.