Santa Catarina


PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O Ministério Público de Santa Catarina pediu nesta terça-feira (10) a exumação do corpo do cão Orelha. O órgão também abriu um procedimento preparatório para investigar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, na condução do caso.

Segundo a 40ª Promotoria de Justiça da Comarca de Florianópolis, que atua no controle externo da atividade policial, a ação foi solicitada "a partir de diversas representações recebidas contra a conduta do delegado-geral no caso Orelha para avaliar a necessidade de instauração de inquérito civil para possíveis ações judiciais".

Procurada, a Polícia Civil não respondeu à reportagem até a publicação. O delegado-geral também não se manifestou sobre o caso.

A Promotoria havia solicitado novas diligências na apuração feita pela polícia, conforme anunciado na sexta-feira (6), devido a indícios de inconsistências nas investigações.

A 10ª Promotoria de Justiça apontou lacunas na apuração da participação dos adolescentes apontados como suspeitos da agressão a Orelha.

Já a 2ª Promotoria de Justiça, responsável por acompanhar o procedimento sobre a suposta coação feita por familiares dos adolescentes, diz que é preciso aprofundar as investigações.

Um dos pontos citados é a possibilidade de não haver vínculo entre a agressão a Orelha e a acusação de coação.

A ausência dessa relação é um dos argumentos da defesa do único adolescente indiciado sob suspeita de agressão contra o cão e também dos pais de outro jovem que foi inicialmente considerado suspeito, mas teve o envolvimento descartado.

A polícia disse na segunda-feira (9) que cumpriria a todos os pedidos de diligências adicionais assim que os recebesse por parte do Ministério Público.

Um laudo da Polícia Científica, feito com base no parecer veterinário, disse que Orelha sofreu um golpe contundente na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

"O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata, que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias com um golpe na região da cabeça, e essa lesão evoluiu e ele veio a óbito durante o atendimento", disse a delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, em vídeo.

Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no norte da ilha de Florianópolis. Resgatado por moradores, ele morreu em uma clínica veterinária no dia seguinte, em razão da gravidade dos ferimentos.

Uma das principais provas citadas pela Polícia Civil é um vídeo que mostra o adolescente deixando um condomínio da região às 5h25, acompanhado de uma amiga, e retornando às 5h58.

A corporação estima que a agressão ocorreu por volta das 5h30.

A defesa questiona a estimativa do horário do ataque, argumentando que não há imagens que mostrem o momento exato da agressão, e afirma que o caso tem sido influenciado por desinformação disseminada nas redes sociais.

Os advogados dizem ainda que o adolescente e sua família vêm sofrendo ameaças virtuais e exposição de dados pessoais.