O Ministério Público Federal apresentou à Justiça Federal uma ação civil pública para evitar o desabamento da Igreja de São Miguel, no Pelourinho, centro histórico de Salvador.

Segundo o órgão, apesar de ser tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1938, a igreja apresenta sinais graves de deterioração, como o desabamento parcial do telhado sobre a capela-mor, madeiras apodrecidas, infestação de cupins, infiltrações, instalações elétricas precárias e buracos na cobertura.

A ação pede que o município isole a área de risco em um prazo de 15 dias e que obras emergenciais comecem em até 30 dias. O Ministério Público cita as responsabilidades da Ordem Terceira de São Francisco, proprietária da igreja, do Iphan e dos governos federal, estadual e municipal.

Segundo o órgão, o tombamento impõe deveres de conservação, e o poder público tem responsabilidade solidária para evitar a perda do bem, que integra o Centro Histórico de Salvador, patrimônio mundial da Unesco.

"Trata-se, portanto, de um bem de relevância histórica nacional que necessita de imediatas medidas de conservação e restauro, sob pena de perda irreparável para a memória e identidade cultural brasileira", disse a procuradora da República Vanessa Previtera.

O Ministério Público Federal na Bahia afirma que existem 388 processos judiciais sobre o patrimônio histórico e cultural no estado. Desses, 197 são ações civis públicas. Há também apelações, cumprimentos de sentença e ações populares.

Entre as ações está a que cobra a restauração da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, ajuizada em julho de 2026, e a que defende a preservação da Capela de Nossa Senhora das Neves, na Ilha de Maré, um dos mais antigos exemplares da arquitetura religiosa brasileira.