Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

O ex-governador Anthony Garotinho finalizou o retrato falado do homem que supostamente o teria agredido na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, há 40 dias. Garotinho concluiu a descrição para o Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) na Cidade da Polícia nesta quinta-feira (4). A imagem do retrato falado do suposto agressor foi divulgada por seu advogado, Carlos Azeredo.

"O retrato falado praticamente já estava pronto lá em Bangu, faltando apenas colocar o nariz. [Mas] O sistema deu pane e nós estamos há mais de 30 dias querendo completar o nariz", disse Garotinho em entrevista nesta quinta. "Hoje, finalmente, a gente vai poder completar para identificar essa pessoa", afirmou, antes de concluir o retrato falado.

No dia 24 de novembro, Garotinho prestou depoimento na 21ª DP (Bonsucesso), alegando que um homem teria invadido sua cela na madrugada com um taco de beisebol, desferindo um golpe no joelho e um pisão no pé do ex-governador. Segundo ele, o suposto agressor trajava calça jeans, camisa azul e sapatos.

Garotinho disse hoje (04) que a polícia teria finalizado ontem o laudo das imagens do circuito interno do presídio.

"Houve a acusação de autolesionamento. O secretário [da Seap (Secretaria do Estado de Administração Penitenciária), Erir Ribeiro] disse que eu me autolesionei. Ele disse baseado em quê? O laudo da polícia técnica ficou pronto ontem. O laudo diz que é inconclusivo porque, em vez de mandar as imagens que tinham que mandar, mandaram imagens que são cópias. A polícia técnica não pode fazer mágica, ela tem que fazer com as imagens originais. A polícia técnica não pode trabalhar com cópia. O sistema funciona sem backup externo, ou seja, só funciona com as imagens armazenadas no computador do presídio", disse Garotinho.

"Tenho certeza de que não foi um agente penitenciário. Naquele momento, eles [agentes penitenciários] tinham ido receber outro preso que estava chegando do Fórum de Madureira. Por isso eu gritei por tanto tempo e não apareceu ninguém. Agente penitenciário não usa sapato, usa tênis", disse, descrevendo novamente as vestimentas e uma pistola do suposto agressor.

Procuradas, tanto a Polícia Civil quanto a Seap ainda não se manifestaram.

Garotinho foi detido em novembro por suspeita de corrupção e financiamento ilegal de campanha eleitoral na Cadeia Pública Frederico Marques, onde estão os presos da Lava Jato no Rio. A defesa do ex-governador declarou que ele corria risco na cadeia, onde estão seus rivais políticos.

Dias depois, quando a suposta agressão ocorreu, a Seap transferiu Garotinho para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, "como punição por não ter provado as supostas agressões".

O secretário de Administração Penitenciária disse ao juiz eleitoral Ralph Machado Manhães Júnior, da 98ª zona eleitoral - Campos dos Goitacazes, que Garotinho "estaria causando transtornos" na cadeia de Benfica, "pois teria se autolesionado e afirmado, ainda, que as agressões foram realizados por terceiros".

À época, a pasta informou que Garotinho estava sozinho em uma galeria composta por nove celas, todas vazias. A Seap disse ter examinado as imagens das câmeras da cadeia, que "não detectaram presença de qualquer pessoa ou estranhos na galeria onde se encontra o detento que pudessem causar tais lesões".