MOSCOU – Quando os jogadores da França já sabiam que iriam pregar os dedos na taça, o Luzhniki Stadium anunciava que, pela sétima vez na Copa do Mundo, teve todos os seus 78.011 lugares tomados. Mas o Mundial da Rússia, diante de todo o sucesso que levou o presidente da Fifa a classificá-lo como o melhor de todos os tempos, derrapou no público.

Em comparação com o sucesso popular da Copa de 2014, no Brasil, o torneio disputado entre 14 de junho e 15 de julho teve 398.105 cadeiras ocupadas a menos que a edição passada vencida pela Alemanha, o que equivale a seis vezes a capacidade do Mineirão. 
A taxa de ocupação russa faz inveja a qualquer edição do Brasileirão que será retomado agora. Entretanto, não se destaca em comparação com a Copa de 2014 e nem com as últimas edições do Mundial.

Tendo em mãos estádios de menor capacidade, a Copa da Rússia somou 93,91% de ocupação das cadeiras, contra 98,41% da edição brasileira. Em 2014, a média de público de 55.386 só foi inferior à marca de 1994, nos Estados Unidos, quando 68.991 torcedores comparecerem aos estádios a cada partida.

Em solo russo, o futebol é o esporte número um, mas o hóquei é um forte adversário. Patins sobre o gelo com o taco na mão é algo considerado, por muitos, como religião. A Rússia é uma potência no ringue e não apresenta a mesma performance com a bola nos pés. Algo que Gianni Infantino já projeta mudar após a Copa e, quem sabe, fazer alavancar a média de 14 mil torcedores do último Campeonato Russo da Primeira Divisão.

“A Rússia mudou. Se transformou verdadeiramente num país de futebol, onde não é só a Copa que eles organizaram, mas que ficará como parte do país. O que foi feito aqui é para o futuro e fará a Rússia a entrar no Top 10 do futebol Mundial”, afirmou o presidente da Fifa.

UTILIZAÇÃO DAS ARENAS

O que contribuiu para a baixa nos números de audiência física dos jogos da Copa do Mundo de 2o18 foi o tamanho dos estádios. Com 12 arenas em 11 cidades, a Rússia ofereceu 3.228.077 de cadeiras aos torcedores , contra 3.485.259 do Brasil.

Se os russos tinham o próprio Maracanã, o Luzhniki, que sempre contabilizou os públicos dos jogos como sendo os ingressos vendidos e não os ingressos utilizados, faltou o espelho de um Mineirão ou Mané Garrincha, ambos também com mais de 60 mil lugares.

Do total de arenas, nove tinham capacidade igual ou inferior a 45 mil cadeiras. Só Luzhniki (78.011), São Petersburgo (67 mil) e Sóchi (48 mil) superaram esta barreira.

Por falar em Sóchi, a cidade não tem clubes de futebol profissional e é a grande candidata a ser a “Brasília russa”, com seu Elefante Branco equivalente ao Mané Garrincha, ainda que a Fifa fale em “planos concretos para que os estádios continuem vivendo”.

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