Lados da moeda: o bilionário estádio de suor escravo e a falência de um campeão russo


Enviado em 11 de julho de 2018 às 10:50:37


A Arena São Petersburgo custou seis vezes mais que o orçamento original: ao lado, tapumes escondem o lixo/ Frederico Ribeiro/Hoje em Dia

 

Direto da Rússia / 
Hoje em Dia

Os tapumes maciços passam completamente fora do alcance da visão turística de quem chega ao elegante Krestovsky Stadium. Ninguém quer olhar para paredes removíveis de um bege morto enquanto é possível admirar a flutuação dos futuristas viadutos que passam através do Rio Neva.

Mas as fretas da cortina de concreto escondem os entulhos da obra mais superfaturada da Copa do Mundo de 2018. O lixo está escondido, mas é possível acessá-lo com observação. O que não se pode notar, mesmo vasculhando cada centímetro de São Petersburgo é o trabalho escravo e a corrupção que marca o palco de Bélgica x França ontem, na semifinal do Mundial.

Foram R$ 4,2 bilhões gastos numa obra que teria um valor inicial seis vezes menos. Empreiteiras aumentaram o valor, desistiram da obra, foram embora com o dinheiro dado pela população russa. Alguma coisa similar com Mané Garrincha, Maracanã?

A diferença para o estádio de Brasília é que o arena de São Petersburgo servirá para o Zenit, um dos principais clubes do país, campeão da Liga Europa 2008. Quem poderia levar alguns jogos ao gigantesco palco de 68 mil lugares era o atual campeão da Copa da Rússia. 

Porém, ele sequer poderá atuar no Petrovsky Stadium, a outra arena da cidade, com capacidade menor. O Tosno FC, pequena agremiação surgida na década passada, foi o verdadeiro "Juventude 1999" da Rússia na temporada passada. Tinha passaporte certo para atuar na Liga Europa. Mas ao passo em que a cidade onde ele está hospedado ergue uma arena de bilhões de reais, o clube desapareceu do mapa por problemas financeiros.

Sem condições de se manter profissionalmente, o Tosno perdeu a licença da Federação Russa, foi rebaixado à segunda divisão (na bola, é verdade), mas alegou falência através da empresa que mantinha o clube - o Grupo Fort, cujo o dono anunciou o fim da entidade esportiva através de uma nota no facebook.

A saída do Tosno de cena beneficiou diretamente o próprio Zenit, que herdou a vaga para participar da Liga Europa a partir da terceira rodada eliminatória antes da fase de grupos. O FC Krasnodar, cujo o estádio com telão em 360º foi esquecido na Copa, é quem irá direto para os chaveamentos da Liga Europa no lugar do inexistente FC Tosno.

O pequeno clube da região de São Petersburgo morreu, mas não sozinho. Outro time dissolvido na mudança de temporada é FC Amkar Perm, nos Montes Urais. Anunciou que não existirá após a Copa do Mundo, igualmente sem dinheiro para se manter. O Amkar era tido como um "Robbin Hood" do campeonato. Tanto que chegou a vencer o Lokomotiv, que se sagraria campeão, nos jogos de ida e volta da Liga.


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