Para Fernanda Takai, apesar de as músicas de Tom Jobim carregarem um quê nostálgico, remetendo-nos a um país diferente do da atualidade, ela não tem dúvidas de que “esse Brasil ainda mora dentro de nós, com muitos desejando que ele se mostre de novo ao mundo”. Elementos suficientes para levar a vocalista do Pato Fu a dedicar um disco ao “Maestro Soberano”.

O álbum “O Tom de Takai” já está nas lojas e a turnê de lançamento tem como ponto de partida Belo Horizonte, com show amanhã, no Centro Cultural Minas Tênis Clube. “O tipo de arte que Tom fez não se perde com o tempo. Os assuntos, temas e sentimentos se repetem. O ponto é a diferença estética com que são abordados”, afirma.

São 22 canções do “Lado B” de Jobim, retrabalhadas por Roberto Menescal e Marcos Valle, compositores e cantores que conhecem como ninguém o trabalho do maestro. “A vontade genuína foi de trabalhar um repertório que fosse menos conhecido, com a ajuda de dois artistas que também sentiam a necessidade de atualizar essas canções para os dias de hoje”.

Takai lembra que já tinha gravado três músicas do criador de “Garota de Ipanema”, fixando-o na memória como o grande maestro que falava sobre paisagens do país e exibia muita elegância na composição. “Tom sempre foi referência de um Brasil moderno que se comunicava muito bem através da música”, destaca.

Essencial

Ela conta que o disco não seria nada sem a participação de Menescal e Valle, que estarão no palco amanhã ao lado da cantora mineira. “Justamente o toque nos arranjos e na produção é que trouxe todo o tempero a essa coleção de canções do Jobim. Talvez eu nem fizesse o álbum se nosso encontro no palco no ano passado não tivesse sido tão bom!”.

O tal encontro aconteceu numa série de shows em 2017, quando o trio se reuniu para celebrar os 80 anos de Menescal e apresentou canções da Bossa Nova. O aniversariante fez um arranjo de “Estrada do Sol” especialmente para a voz da mineira, que já havia dedicado um álbum ao repertório de Nara Leão, considerada a musa da Bossa.

Takai registra que busca gravar com a mesma responsabilidade e leveza os discos de carreira, sejam de intérprete ou autorais. “Quando me conecto com as músicas escolhidas, elas passam a fazer parte da minha história e não faço distinção quanto ao sentimento”.

Serviço:
“O Tom de Takai”
Amanhã, às 21h
Teatro Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2244 – Lourdes)
Ingresso: R$ 50 (inteira)