Candidatos à Assembleia de MG vão ter que bancar própria eleição


Enviado em 18 de maio de 2018 às 10:33:32


Assembleia. Parlamentares não terão muito apoio financeiro de seus partidos na busca pela reeleição | Foto: Guilherme Bergamini/ALMG – 4.11.2015

 

Com nova legislação eleitoral, partidos investirão recursos em postulantes à Câmara Federal

 

Quando se trata de recursos para a campanha eleitoral deste ano, os candidatos a deputados estaduais figuram entre os últimos na lista de prioridades de dirigentes partidários, principalmente daquelas legendas que têm mais representação no país. No entanto, caciques políticos disseram à reportagem que essa falta de preferência foi praticamente imposta com as novas regras eleitorais que vão aparecer nessas eleições gerais. 

Com a proibição da doação de empresas, os postulantes de cargos no pleito de 2018 podem optar por financiar 100% da própria campanha ou depender da contribuição de pessoa físicas e de recursos dos fundos partidário e eleitoral. Os fundos juntos chegam à cifra de R$ 2,5 bilhões, que é dividida entre as 35 siglas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E as agremiações estão com as torneiras fechadas quando se trata de “abrir a carteira” para aqueles que querem disputar uma vaga de deputado estadual.

Na prática, a prioridade dos partidos se resume em eleger deputados federais, uma vez que é mais vantajoso financeiramente para as agremiações conseguir cadeiras na Câmara dos Deputados. Com uma representação maior no Legislativo federal, as siglas conseguem, por exemplo, mais tempo de propaganda no rádio e na televisão e mais dinheiro de fundo partidário nas próximas disputas – pelas regras da Justiça eleitoral, 95% desse recurso é repartido de forma proporcional para as legendas, conforme o tamanho da bancada em Brasília.

“Com isso, o número de candidatos a deputados estaduais também está encolhendo. É ruim para os partidos, ruim para os candidatos, ruim para todos, principalmente para aqueles que vão ter candidatos ao governo de Minas e à Presidência. Eles são os principais cabos eleitorais. Os partidos só estão liberando o estritamente necessário, que vai dar para cobrir gastos com os materiais mínimos”, contou um dirigente partidário que deve apoiar o nome do senador Antonio Anastasia (PSDB) para o Palácio da Liberdade.

Outro interlocutor, do PT, explica que essas contas estão sendo realizadas em Brasília. Por isso, na avaliação dele, a situação fica ainda mais complicada para os candidatos. “O foco é senador, deputado federal e candidatos a cargos majoritários (governador e presidente). Não tem jeito, as novas regras complicam muito a vida desses candidatos. E os partidos também saem perdendo nesse jogo. Está sendo feito malabarismo para dar uma fatia para cada um”, explicou.

A reportagem conversou com deputados estaduais com mandato que confirmaram que essa dificuldade existe e salientaram que a situação é ainda pior para aqueles que vão ser candidatos pela primeira vez. “O partido só está investindo mais em quem tem chances de ser eleito. Até quem está cumprindo mandato hoje encontra dificuldades. O dinheiro só vai ser repassado com muita garantia de que vai ter resultado”, afirmou um parlamentar do MDB.


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