Partido no poder na África do Sul dá 48 horas para Zuma renunciar, diz TV estatal


Enviado em 12 de fevereiro de 2018 às 21:56:52


Presidente sul-africano Jacob Zuma, em imagem de arquivo de 1º maio (Foto: Khothatso Mokone/ AP)

 

Presidente Jacob Zuma, que deixou a liderança do partido em dezembro, é alvo de acusações de corrupção.

 

Por G1

 

 

O Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) deu um prazo de 48 horas para o presidente Jacob Zuma renunciar, segundo informa nesta segunda-feira (12) a TV estatal da África do Sul, a SABC, citando fontes. De acordo com a TV, o novo líder do ANC, Cyril Ramaphosa, saiu da reunião do Conselho Nacional Executivo (NEC, órgão do ANC) em Pretória e foi aos escritórios de Zuma para informá-lo sobre a decisão do partido.

O ANC passa por uma crise política gerada pelas negociações sobre a saída do presidente sul-africano da liderança do partido, anunciada em dezembro.

O partido, que venceu todas as eleições presidenciais desde o início do período democrático em 1994, elegeu o vice-presidente do país, Cyril Ramaphosa, para substituir Zuma em sua liderança.

 
Cyril Ramaphosa, vice-presidente da África do Sul, é eleito líder do partido CNA (Foto: Siphiwe Sibeko/ Reuters)

Cyril Ramaphosa, vice-presidente da África do Sul, é eleito líder do partido CNA (Foto: Siphiwe Sibeko/ Reuters)

As regras internas do partido estabelecem que todos os membros do partido, incluindo os cargos eleitos, devem submeter-se à vontade dele; no entanto, se Zuma se negar a deixar seu cargo, a única via possível seria uma moção de censura parlamentar.

Há semanas, o ANC está dividido sobre o destino de Zuma, atingido por vários escândalos de corrupção. Os partidários de Ramaphosa querem que Zuma deixe o quanto antes o poder visando as eleições gerais de 2019. Já os seguidores de Zuma insistem para que ele termine seu segundo mandato, antes das eleições.

Ramaphosa realiza há vários dias negociações diretas com o presidente Zuma para discutir a "transição" política. Na última quinta-feira, o ANC prometeu que ia chegar a uma conclusão "iminente" destas negociações, mas dois dias depois acabou pedindo paciência.

De acordo com a agência Efe, Zuma é alvo de várias acusações, incluindo quase 800 por corrupção relativa a contratos de armas do final dos anos 1990 ou às investigações por ter usado o Estado para favorecer empresários vinculados com concessões públicas milionárias.


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