Ansiedade pela aposentadoria

Por Luis Borges


Enviado em 12 de outubro de 2017 às 10:24:38


 

O Governo Federal prossegue em seu propósito de atingir a meta de manter o atual Presidente no cargo até 31 de dezembro de 2018, custe o que custar. O fim justifica os meios utilizados. Enquanto isso, a reforma da previdência pública e privada paira como a espada de Dâmocles sobre a cabeça daqueles que pensam que tem direitos adquiridos ou em aquisição para se aposentar num determinado momento segundo as regras atualmente em vigor.

Os novos parâmetros para a reforma apresentados na primeira versão da proposta foram mal divulgados estrategicamente e como eram leoninos causaram muita apreensão dos envolvidos de hoje e muito desânimo aos que se aposentarão num futuro mais longínquo. Basta lembrar, por exemplo, a exigência de 49 anos de contribuição para o sistema e 65 anos para a idade mínima de aposentadoria, ainda que em nome do equilíbrio das contas públicas. Agora, passado um ano mais de falação do que de discussão transparente e honesta intelectualmente, o que se verifica é a proposta original quase que totalmente desfigurada pelas concessões feitas a diversos segmentos sociais e a sensação que o que sobrou continua no telhado.

Por outro lado ficamos sabendo com frequência cada vez maior de casos de pessoas na faixa dos 50 anos ou mais que resolveram apressar a aposentadoria para se protegerem de prováveis condições mais desfavoráveis num futuro ainda incerto, mas cada vez mais próximo.

Um desses casos é o de uma gerente de suprimentos de uma empresa de médio porte do setor de embalagens, que tem 51 anos de idade e contribui para o INSS desde os 19. Ela se aposentou em janeiro deste ano com o direito de receber proventos mensais no valor de R$2.985,00, que passaram a se somar aos R$7.400,00 brutos mais benefícios como vale alimentação, plano de saúde e participação em resultados que recebe como gerente. Aconteceu que, agora em setembro, sua empresa passou por uma reestruturação para se adequar ao mercado atual. Como se sabe o setor de embalagens é uma referência sobre o comportamento da indústria, tanto para cima quanto para baixo. Uma das decisões tomadas foi a de demitir de uma vez só os 35 empregados da empresa que já são aposentados. Não houve escapatória para a jovem aposentada gerente de suprimentos.

Enquanto tentava elaborar a perda trazida pela surpresa da demissão, uma frase de consolo muito ouvida foi “antes pingar do que secar”. Mas inegavelmente a readequação à nova realidade exigirá muitos cortes para que o custo caiba dentro do faturamento que sobrou. É claro que outra saída seria arrumar imediatamente um novo emprego, algo cada vez mais difícil para quem tem 50 ou mais, ou encontrar trabalhos por projetos nem sempre disponíveis na rede.

E o que sobrou da reforma da previdência continua a nos apoquentar.


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