Cofre arrombado

Por Leandro Mazzini


Enviado em 13 de maio de 2017 às 23:24:52


 

A operação Bullish da Polícia Federal que cerca a JBS e o BNDES é o primeiro passo para abrir o cofre secreto dos financiamentos mal explicados do bancão para grupos que tiveram restrito acesso amigável aos Governos do PT. O foco não é fraude financeira - porque não houve, os investigadores já sabem - mas cercar e minar o núcleo político que se beneficiou com propinas sobre os empréstimos. E personagens já conhecidos da Lava Jato vão para o curral - ou melhor, cela. A porteira foi aberta - e o cofre político do BNDES arrombado, desta vez à lanterna da lei. 

Você já sabia

No último dia 7 a Coluna cantou a bola de que viria operação: o TCU já municiara a PF com relatórios apontando suspeitas nos processos dos financiamentos bilionários. 

‘Carne fraca’ 2
Houve todo um cuidado desta vez para não atingir em cheio, de novo, o mercado de carne. A PF não citou a JBS na nota oficial e não houve coletiva de imprensa. 

Deram no pé
Cinco alvos de condução coercitiva na operação estão no exterior. Curioso é que ontem veio à tona a revelação de que houve vazamento na prisão do marqueteiro João Santana.

Bomba em casa
Caiu como bomba na cúpula da PF a delação de Mônica Moura de que ela e João Santana foram avisados pela presidente Dilma e o então ministro José Eduardo Cardozo, na véspera, de que havia mandado de prisão contra eles na Lava Jato. Pela regra, o ministro só é avisado de alvos no momento que se inicia a operação nas ruas. 

A lei
De acordo com o Artigo 325 do Código Penal, “Revelar fato que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação” dá detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. 

Chave (de cadeia)
Enquanto advogados dos citados por delatores reclamam que estes não têm provas contra clientes, Mônica Moura deixou Dilma na porta de uma cela ao dizer que ambas criaram um e-mail acessado pelas duas. Em poucas horas a PF rastreia o IP do endereço do e-mail e pode descobrir se mensagens saíram dos Palácios da Alvorada ou Planalto. 

Cadê 1
Em Curitiba, ao ver claque de aliados, Lula perguntou a um dos advogados onde estava Jorge Samek, ausente. Samek é o petista mais longevo na Itaipu, até no Governo Temer.

Cadê 2
João Dória Jr., a nova estrela tucana, não apareceu no programa de TV do partido. Aécio, Alckmin e FHC brilharam, meio apáticos. E prefeitos novatos mostraram a cara. 

Cyber ataque
Um grande especialista em segurança de tecnologia ouvido pela Coluna sobre o cyber ataque que viralizou em mais de 70 países diz que o tipo de ataque é como o segredo da Coca-Cola - só uns cinco hackers no mundo sabem como fazê-lo. Como foi muito abrangente, o pirata deixou rastros e deve ser pego pela polícia na China. 

Linha dura
O juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, que determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula atuou em outros processos que deram início à ruína do PT no poder. 

Memória
O magistrado comandou a investigação da quebra de sigilo do caseiro Francelino Santos Costa por diretores da Caixa - que culminou na queda do então ministro Antonio Palocci - e do caso do ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, acusado de ter recebido propina de bicheiros para a campanha do PT, em 2002.

Volta da UNE
Sem caixa - era bem abastecida por governos anteriores - a UNE lançou campanha para realizar o seu congresso. Justo e digno. Mas já ensaia projeto de longo prazo de ‘vaquinha’ porque deve perder o filão da emissão da carteirinha da meia-entrada, com a ascensão do ID Jovem, o cartão digital lançado pela Secretaria Nacional da Juventude.

Barbosa
Depois quatro meses sumido, o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa reapareceu no Twitter. Comemorou a vitória do centrista Emmanuel Macron para presidente da França - onde Barbosa estudou por anos. “Aprenderá rapidamente”, ‘sentencia’ Barbosa.

Ponto final
“Sem apelar para o canto do populismo, sem apelar para o marketing enganador”.
Do desgastado e reprovado popularmente presidente Temer, ontem, ao comparar seu primeiro ano de Governo com anteriores, numa alfinetada a Lula e Dilma. 


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