Blog mostra vida dupla de jovem médica envolvida em crime em BH


Enviado em 17 de abril de 2010 às 11:02:43


 

 Formada pela UFMG, Gabriela Corrêa da Costa revela na internet paixão por literatura e uma trajetória que contrasta com a proximidade de bando que matou empresários

Glória Tupinambás - Estado de Minas

Gabriela Ferreira Corrêa da Costa na sua formatura pela UFMG  -  (Arquivo pessoal)
Gabriela Ferreira Corrêa da Costa na sua formatura pela UFMG

Um álbum de alegrias, lembranças, sonhos, projetos e realizações, onde parece difícil encaixar uma página relacionada a criminalidade, recheada de homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A internet guarda parte da vida da jovem médica Gabriela Ferreira Corrêa da Costa, que aos 26 anos tem a carreira promissora abalada pelo suposto envolvimento no macabro assassinato de dois empresários encontrados decapitados e carbonizados no último sábado. Recém-formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gabriela passou a noite sendo interrogada no Departamento de Investigações e neste sábado deve trocar o conforto de um apartamento no Anchieta, bairro de classe média da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, por uma cela especial no Complexo Penitenciário Feminino Estévão Pinto, na Região Leste da capital.

No blog "A vida é uma cena que passa", a jovem de pele morena, longos cabelos negros, sorriso cativante e corpo esbelto reúne fotos de viagens, momentos felizes com os amigos, cenas em família e várias referências à conquista do diploma de medicina na maior universidade de Minas, em 10 de julho do ano passado. A paixão pela literatura está presente em textos de Shakespeare, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário Quintana. Mas a maior parte do site, criado em 2008, é dedicada aos escritos de Gabriela, que procura mostrar seu talento e sensibilidade em dezenas poemas.

Mas frases ambíguas assinadas por ela podem ser úteis a especialistas que se dispuserem a traçar um perfil psicológico da jovem suspeita de envolvimento com a quadrilha que praticou os crimes. Numa mensagem intitulada “Pesadelo”, postada em 8 de junho de 2009, Gabriela põe a foto de um revólver em preto e branco e, logo abaixo, os seguintes versos: “(…) Pensei em dinheiro/ No mundo porco/ Capitalista/ Eu não tive culpa/ Talvez negligente/ E intocável/ Eram dois/ Sem heróis ou princesas/ Apenas o ferro/ Ameaças e gritos/ Velocidade e curvas/ E escuridão/ Minha biografia/ Minhas conquistas/ Nas mãos alheias/ Olhares de maldade/ Olhares de medo/ Meus e deles/ Arquitetar planos?/ Apenas pensar/ E sentir medo/ Poderia acabar logo/ Mas o ferro/ E os gritos/ Acordo. Sonho./ Lembro-me:/ Tudo foi real.”

A brincadeira com as letras em um poema também revela mais que um simples anagrama. Em versos escritos em dezembro de 2007, mas colocados na internet em maio do ano passado, Gabriela fala de uma doença caracterizada pelo transtorno do humor, o distúrbio bipolar. “Bliapro/ Proliba/ Orlibap/ Liaprob/ Baproli/ Bliapro, minha vida, anseios/ Tão confuso que poderia/ Com razão de causa e efeito/ Denominar-se Bipolar”. E no poema de abertura do seu perfil no blog, a jovem revela que “Versos curtos / Descrevem surtos / Do tipo psicótico / Ou neurótico / Meu nome é Gabriela / Não aquela “cravo-e-canela” / Algo mais bem elaborado / Conseguiu captar o recado?”.

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