Pão de queijo tem peso na inflação de Belo Horizonte


Enviado em 10 de fevereiro de 2019 às 19:57:39


Presença marcante. IBGE considera o tradicional pão de queijo no cálculo da inflação de BH e região

COMO É O CÁLCULO

Em Porto Alegre, carvão para churrasco entra no IPCA; na capital mineira, não

Você já viajou para outra cidade e sentiu a diferença nos preços? A inflação não é igual para todos os brasileiros, e o peso dos produtos e serviços no cálculo do índice é diferente de acordo com o local analisado. O IBGE é responsável pelo cálculo oficial da inflação no país – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –, que leva em conta também as diferenças culturais. Na região metropolitana de Belo Horizonte, o pão de queijo entra na formação do índice inflacionário. E carvão vegetal, usado para fazer o churrasco, é levado em conta na região metropolitana de Porto Alegre.

Além do dado nacional, o IBGE realiza o cálculo em 16 locais, entre capitais e regiões metropolitanas. O peso de alimentos e bebidas na inflação, por exemplo, varia entre as localidades pesquisadas. Em Belo Horizonte, foi de 21,52 pontos percentuais (p.p) em dezembro de 2018, abaixo da média nacional, que é de 24,56 p.p. O peso mais expressivo desse grupo foi de Belém, 33,12 p.p.

Para que o levantamento do índice seja o mais fiel à realidade, o instituto faz a Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF). “É um levantamento que mostra os hábitos de consumo dos brasileiros”, observa a economista do IBGE Minas, Luciene Longo. Ela afirma que a atualização da POF é necessária, já que os hábitos de consumo dos brasileiros vão mudando com o passar dos anos. “Por exemplo: antigamente, na década de 90, existiam as locadoras de vídeo e, logo, era realizado o cálculo do preço desses serviços, que hoje não são usados. Em 2010, as pessoas não usavam as plataformas de streaming. Anos depois, esse serviço ficou mais popular”, diz.

A última POF foi realizada entre 2008 e 2009. Atualmente, o IBGE está realizando o levantamento da POF 2017-2018, que deve ser divulgada neste ano. Por meio da pesquisa, o instituto pretende atualizar a cesta de consumo das famílias brasileiras, que também é usada para ponderar os pesos das diferentes despesas no IPCA. É por isso que gastos com transporte hidroviário são calculados para Belém (PA), com peso de 0,14 ponto percentual na inflação em dezembro de 2018, enquanto que, para a região metropolitana de Belo Horizonte, não existe esse tipo de variação, já que não existe esse tipo de transporte.

A economista do IBGE observa que o carvão vegetal só é calculado para Porto Alegre em razão do forte hábito de consumo de churrasco. Em Belo Horizonte, o IBGE não calcula o preço de vários tipos de peixe. Em capitais do litoral nordestino, o peixe tem peso no cálculo.

Capital mineira tem a terceira maior influência no Brasil

A análise dos hábitos de consumo das famílias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou em 1974, por meio do Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef). Nos anos 80, o estudo foi substituído pela Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF), cuja última edição foi realizada entre 2008 e 2009. Ao longo do tempo, a pesquisa sofreu modificações em sua estrutura metodológica e amostragem – nos anos 80 e 90, por exemplo, ela se concentrava somente nas regiões metropolitanas urbanas.

Na edição da POF 2017-2018, que está em andamento, não haverá a coleta de dados antropométricos – peso e altura da população – nos domicílios visitados.

Essas informações serão levantadas, a partir de agora, na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e na futura Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS).

No cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, as regiões metropolitanas e as capitais analisadas não têm o mesmo peso. A região mais relevante é São Paulo, com 30,67%, seguida pelo Rio de Janeiro (12,06%). Belo Horizonte vem logo depois, com 10,86%.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas, além de Aracaju, Brasília, Campo Grande, Goiânia, Rio Branco e São Luís. Em 2018, o IPCA encerrou registrando variação de 3,75%, 0,8 ponto percentual acima dos 2,95% computados no ano anterior.

Em 2018

Variação. A inflação na região metropolitana de Belo Horizonte em 2018 teve alta de 4%, um pouco acima da média nacional, de 3,75%. A mais alta foi na Grande Porto Alegre, com 4,62%.


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