Mais da metade de Minas vive com até um salário mínimo


Enviado em 06 de dezembro de 2018 às 10:58:31


Belo Horizonte abriga desigualdades que se refletem nas moradias

 

Saneamento e moradia precários tiram R$ 56 bi do país

 
 

Praticamente seis em cada dez mineiros (57%) vivem com, no máximo, um salário mínimo por mês. São mais de 12 milhões de pessoas que fazem um verdadeiro malabarismo para pagar alimentação, moradia, transporte, remédios e todos os gastos que surgem em 30 dias. Entre eles, 4,43 milhões têm um rendimento que os coloca abaixo da linha da pobreza e os obriga a tentar sobreviver com uma renda que não passa de R$ 406 mensais.

Os dados compõem a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), pesquisa divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Quando se considera o chamado “salário mínimo ideal” para arcar com as principais despesas de uma família, que deveria ser de R$ 3.658 – segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) –, só 7,8% dos mineiros teriam uma vida “tranquila”. São 1,6 milhão, em um Estado de 21 milhões de habitantes.

Segundo a analista do IBGE Luciene Longo, a parcela da população que está abaixo da linha da pobreza costuma compor outros indicadores de escassez. Ou seja, são elas também que têm menos acesso à educação, ao saneamento básico, às condições adequadas de moradia, à comunicação pela internet e à proteção social. Dentre os que moram em residências permanentes, ou seja, que não foram improvisadas, 51,9% têm restrição de pelo menos um desses itens. 

Para o economista e demógrafo da UFMG Alisson Flávio Barbiere, essa pobreza mostra que o país não resolveu um problema histórico. “A desigualdade social não foi eliminada. Aliás, a situação tem piorado, como mostram esses indicadores”, afirma. 

Moradia inadequada tira R$ 56 bi do país

Mais de 5 milhões de mineiros têm restrições de acesso a moradia adequada e a saneamento básico, segundo o IBGE. Na análise de especialistas, a soma desses fatores serve como estopim para a explosão de problemas sociais, como sobrecarga dos sistemas de saúde e penitenciário, evasão escolar e falta de mão de obra qualificada. Um prejuízo de R$ 56 bilhões anuais em todo o país.

São consideradas restrições de acesso a moradia adequada, por exemplo, ausência de banheiro dentro de casa, paredes feitas com materiais não duráveis ou imóveis com adensamento excessivo (gente demais para pouco espaço). Já escassez no saneamento é quando faltam serviços como coleta de lixo, abastecimento de água ou esgotamento sanitário.

Essa é a realidade do auxiliar de segurança geral Maicon John Gomes, 29, que mora há seis anos na Vila Cafezal, um aglomerado em Belo Horizonte. “Aqui tudo é difícil. Para ter luz é com gato. Esgoto, a gente mesmo se vira”, conta.

Segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, não é apenas morar mal. “Se uma pessoa não mora em local adequado, está mais vulnerável a doenças e precisa de atendimento médico mais vezes. Se ela adoece muito, falta à escola e ao trabalho”, explica.

O órgão fez um levantamento, no mês passado, mostrando que, se o saneamento básico fosse levado para todo o país, o Brasil ganharia R$ 56 bilhões ao ano. “O ganho é com a eliminação dos problemas consequentes dessa situação, além da valorização de imóveis e aumento do turismo, por exemplo”, explica. 

Jovens são os que mais ficam fora

A crise, que fez a taxa de desocupação passar de 6,7% para 12,1% em Minas Gerais de 2012 para 2017, empurrou com mais força os jovens para fora do mercado de trabalho. Aqueles com idade entre 14 e 29 anos estão com uma taxa de desocupação de 21%, contra 8,4% para os mais maduros, com idade entre 30 e 49 anos.

Segundo o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Mauro Rochlin, normalmente ficam fora os menos experientes. Dentre os 21% dos jovens que nem estudam, nem trabalham em Minas, 46% estão em busca de emprego. Na opinião dele, o desemprego é fruto de uma redução dos investimentos e do consumo no país.


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